DESENHOS DE PESQUISA: UMA CONTRIBUIÇÃO PARA AUTORES

 

Dalmo Valério Machado de Lima1

1 Universidade Federal Fluminense

 

RESUMO

Objetivo: Auxiliar leitores, pesquisadores e autores para a compreensão dos principais desenhos de pesquisa utilizados pela enfermagem e em saúde em geral. Método: Pesquisa bibliográfica. Resultados: Quadro esquemático em folha única com links para as características essenciais dos diversos desenhos ou metodologias utilizadas em saúde. Foram identificadas 04 categorias de desenhos: experimentais, não experimentais, secundários e adicionais.  O desmembramento das categorias resultaram em 36 desenhos. Conclusão: A ferramenta proposta constitui-se num facilitador para os autores em diferentes seções dos artigos: título, metodologia e metadados.

Descritores: Medidas, Métodos e Teorias; Acesso à Informação; Autoria e Co-Autoria na Publicação Científica; Enfermagem Baseada em Evidências.

 

INTRODUÇÃO

A pluralidade de metodologias de pesquisa que advêm a reboque do avanço da ciência inclui àquelas relacionadas ao setor de saúde. Nesse sentido, torna-se essencial tanto ao produtor quanto ao consumidor de pesquisa a sedimentação de desenhos clássicos de investigação, bem como a atenção as novas tendências que permeiam ao referido avanço. O objetivo desse guia é auxiliar leitores, pesquisadores e autores para a compreensão dos principais desenhos de pesquisa utilizados pela enfermagem e em saúde em geral.

 

METODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa bibliográfica que se utilizou de livros clássicos de epidemiologia, metodologia de pesquisa em saúde enfermagem e ciências sociais.

 

RESULTADOS

Quadro 1 esquemático com links para as características essenciais dos diversos desenhos utilizadas em saúde. Foram identificadas 04 categorias de desenhos: experimentais, não experimentais, secundários e adicionais.

Quadro 1 – Desenhos de pesquisa adotados em saúde*

DESENHOS DE PESQUISA

NÃO EXPERIMENTAL

PESQUISA DESCRITIVA

descritiva

 

documental

 

estudo de caso

 

exploratória

 

motivação

 

opinião

 

 

 

PESQUISA ANALÍTICA OU OBSERVACIONAL

caso controle

 

coorte

prospectiva

 

retrospectiva

 

correlacional

 

pesquisa de resultados

 

transversal

 

 

 

 

 

 

 

EXPERIMENTAL

QUASE EXPERIMENTO

 

 

 

ENSAIO CLÍNICO

randomizado

 

não randomizado

 

controlado

 

não controlado

 

 

 

CROSS OVER

 

 

 

 

 

 

 

SECUNDÁRIA

PESQUISA BIBLIOGRÁFICA

 

 

 

REVISÃO INTEGRATIVA

 

 

 

REVISÃO SISTEMÁTICA

qualitativa

 

metanálise

 

 

 

 

 

 

 

ADICIONAIS

ESTUDO BIBLIOMÉTRICO

 

ESTUDO ECOLÓGICO

 

ESTUDO METODOLÓGICO

 

ESTUDO PSICOMÉTRICO

 

ETNOGRAFIA

 

ETNOMETODOLOGIA

 

ETOLOGIA

 

FENOMENOLOGIA

 

HERMENÊUTICA

 

PESQUISA AÇÃO

 

PESQUISA DE AVALIAÇÃO

 

PESQUISA HISTÓRICA

 

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS

 

SOCIOPOÉTICA

 

PESQUISACONVERGENTE ASSISTENCIAL

 

TEORIA FUNDAMENTADA EM DADOS

 

 

*Cada termo em azul é um hiperlink que direciona diretamente para definição do desenho adotada no artigo


1       DESENHOS DE PESQUISA NÃO EXPERIMENTAIS

São usados quando o pesquisador deseja construir o quadro de um fenômeno ou explorar acontecimentos, pessoas ou situações à medida que eles ocorrem naturalmente. Nessas pesquisas as variáveis independentes já ocorreram, por assim dizer, e o investigador não pode controlá-las diretamente por manipulação([1]).

1.1     PESQUISA DESCRITIVA

1.1.1    Pesquisa Descritiva

O estudo que se concentra em, e é desenhado para somente descrever as distribuições das variáveis existentes, sem se importar com a casualidade ou outras hipóteses. Contraste ESTUDO ANALÍTICO. Um exemplo é o questionário de saúde comunitário, usado para determinar o estado de saúde dos indivíduos em uma comunidade. Estudos descritivos, como por exemplo, dados de análises de registro de câncer podem ser usados para medir os riscos, gerar hipóteses etc([2]).

1.1.2    Pesquisa Documental

A pesquisa documental, devido a suas características, pode chegar a ser confundida com a pesquisa bibliográfica. A principal diferença entre esses tipos de pesquisa é a diferença de suas fontes. A pesquisa bibliográfica utiliza-se principalmente das contribuições de vários autores sobre determinada temática de estudo. Por outro lado, a pesquisa documental baseia-se em matérias que ainda não receberam um tratamento analítico ou que podem ser reelaborados de acordo com os objetivos da pesquisa. Assim como a maioria das tipologias, a pesquisa documental pode integrar o rol de pesquisas utilizadas em um mesmo estudo ou caracterizar-se como o único delineamento utilizado para tal. Nessa tipologia de pesquisa, os documentos são classificados em dois tipos principais: fontes de primeira mão (documentos oficiais, reportagens de jornal, cartas, contratos, diários, filmes, fotografias, gravações etc) e fontes de segunda mão (relatórios de pesquisa, relatórios de empresas, tabelas estatísticas etc)([3]).

1.1.3    Estudo de Caso

São investigações detalhadas de uma única entidade ou de um pequeno número de entidades. Entidade pode ser um indivíduo, família, instituição, comunidade ou outra unidade social. No estudo de caso, os pesquisadores obtêm uma riqueza de informações descritivas e podem examinar relações entre fenômenos diferentes ou tendências ao longo do tempo. Os pesquisadores de estudos de caso tentam analisar e compreender questões importantes para a história, desenvolvimento ou as circunstâncias da entidade estudada([4]).

1.1.4    Exploratória

É o estudo que o objetivo principal é explicar, ao invés de simplesmente descrever, uma situação a qual se isola os efeitos de variáveis específicas e o entendimento dos mecanismos de ação(2).

1.1.5    Motivação

Busca saber as razões inconscientes e ocultas que levam, por exemplo, o consumidor a utilizar determinado produto ou que determinam certos comportamento ou atitudes([5]).

1.1.6    Opinião

Procura saber atitudes, pontos de vista e preferências que as pessoas têm a respeito de algum assunto, com o objetivo de tomar decisões. A pesquisa de opinião abrange uma faixa muito grande de investigações que visem identificar falhas ou erros, descrever procedimentos, descobrir tendências, reconhecer interesses e outros comportamentos(5).

1.2     PESQUISA ANALÍTICA OU OBSERVACIONAL

O estudo desenhado para examinar associações, normalmente putativos ou de relacionamento causal hipotético. Um estudo analítico é normalmente preocupado com a identificação ou mensuração dos efeitos dos fatores de risco, ou é direcionado com os efeitos na saúde de uma ou mais específica exposição. Contraste é ESTUDO DESCRITIVO, que não testa hipóteses. Os tipos comuns de estudos analíticos são CO-RELACIONAL, COORTE e CASO CONTROLE. No estudo analítico, os indivíduos da população em análise podem ser classificados de acordo com a ausência ou presença (ou desenvolvimento futuro) de uma doença em especial e de acordo com os atributos que podem influenciar a ocorrência da doença. Estes atributos podem incluir idade, raça, gênero, outra(s) doença(s), genética, características bioquímicas ou fisiológicas, status econômico, ocupação, residência e quaisquer outros aspectos ambientais ou comportamentais(2).

1.2.1    Caso Controle

(Sinônimo: estudo de comparação de casos, estudo de casos companheiros, estudo de caso histórico, estudo de caso de referência, estudo retrospectivo)

 Este é o estudo de observação epidemiológica de indivíduos com a doença (ou com a variação sintomática) de interesse e com um grupo controle (para comparação e/ou referência) de pessoas sem a doença. A relação de um atributo da doença é examinado pela comparação entre o adoecido e o são em relação a frequência e presença do atributo ou, se quantitativo, os níveis do atributo em cada grupo. Resumidamente, a história passada da exposição a um FATOR DE RISCO suspeito é comparado entre os “casos” e os “controles”, indivíduos que se aproximam dos casos que respeitam a idade e o gênero, mas não compartilham a doença nem as condições de interesse(3).

1.2.2    Coorte

1.2.2.1   Prospectiva ou Clássica

(Sinônimos: concorrente, follow-up, incidente, longitudinal, estudo prospectivo)

 O método analítico de estudo epidemiológico no qual parcelas de uma população definida pode ser identificada em quem são, foram ou no futuro poderão ser expostos ou não, ou foram expostos em diferentes níveis, à um fator ou a vários fatores hipotéticos que influenciam a probabilidade de ocorrência de uma certa doença ou outro resultado. A característica principal dos estudos de coorte é a observação de um grande número por um longo período (comumente por anos) com as taxas de incidência dos grupos que  se diferenciam em níveis de exposição. Os termos alternativos para um estudo de coorte, como, por exemplo follow-up, longitudinal, e estudo prospectivo descrevem uma característica essencial do método, a saber, a observação da população de um número suficiente de indivíduos por ano para gerar uma incidência confiável ou taxas de mortalidade em parcelas da população. Este estudo implica no estudo de uma grande população, de um estudo por período prolongado (anos), ou ambos. O denominador pode ser indivíduos ou indivíduo-tempo. Ver também ESTUDO DE COORTE HISTÓRICO(2).

1.2.2.2   Retrospectiva ou Histórica

(Sinônimos: estudo prospectivo histórico, estudo prospectivo não-concorrente, estudo prospectivo em retrospecto)

Conduzido pela reconstrução de informações sobre indivíduos em um determinado momento ou momentos no passado. Este método utiliza registros existentes sobre a saúde ou sobre outros aspectos relevantes da população de algum tempo no passado e determina o atual (ou subsequente) estado dos membros desta população em relação às condições de interesse. Níveis diferentes de exposição passada ao(s) fator(es) de risco de interesse pode(m) ser identificado(s) para os subconjuntos da população. Sistemas de REGISTROS DE VÍNCULOS são comumente utilizados nos estudos históricos de coorte. A preocupação crescente da proteção da privacidade ameaça estes tipos de estudo, que no passado fizeram uma grande contribuição para a compreensão da ciência das causas das doenças. Revisores de Comitês de Ética das propostas de pesquisa de coorte históricos cada vez mais requerem dos pesquisadores a obtenção de um consenso declarado dos indivíduos os quais os arquivos médicos serão pesquisados. Se o estudo envolve um número muito grande, e/ou algumas ou todas as pessoas são falecidas ou não podem ser encontradas, é óbvio que é impossível conseguir tais declarações. Linhas-mestre como as compostas pelo Conselho das Organizações Internacionais das Ciências Médicas (CIOMS, em inglês) recomendam que a declaração consensual deve ser descartada em tais circunstâncias(2).

1.2.3    Correlacional

Utilizado para examinar a relação entre duas ou mais variáveis. O pesquisador não está testando se uma variável causa outra variável ou quão diferente uma variável é da outra. O pesquisador está testando se as variáveis variam conjuntamente; ou seja, à medida que uma variável muda, uma mudança relacionada ocorre na outra variável? Há interesse em se quantificar a força da relação entre as variáveis(1).

1.2.4    Pesquisa de Resultados

É a pesquisa nos resultados de intervenções. É uma grande parte do trabalho dos epidemiologistas clínicos(2). Por exemplo: Rafferty e colaboradores (2007) examinam o efeito dos níveis da equipe de enfermagem em hospitais em relação a mortalidade dos pacientes, falhas de salvamento e qualidade do atendimento classificado pelos enfermeiros no Reino Unido. Foram descobertos resultados similares aos do Estados Unidos – altas proporções pacientes-enfermeiros associadas a piores resultados dos pacientes(4).

1.2.5    Transversal ou de Prevalência

(Sinônimos: pesquisa de frequência de doenças, estudo de prevalência)

Estudo que examina a relação entre as doenças (ou outras características relativas a saúde) e outras variáveis de interesse como elas existem em uma determinada população em um determinado momento. A presença ou a falta de uma doença e a presença ou a falta de outras variáveis (ou, se são elementos quantitativos, qual o seu nível) são determinados em cada membro da população de estudo ou em uma amostra representativa em um determinado momento. A relação entre a variável e a doença podem ser examinados (1) em termos de prevalência da doença em diferentes subgrupos da população definidos de acordo com a presença ou ausência (ou nível das variáveis e (2) em termos da presença ou ausência (ou nível) das variáveis nos doentes contra os não-doentes. Note-se que a prevalência de uma doença, ao invés da incidência, é normalmente pesquisada através do estudo transversal. A sequência temporal de causa e efeito não necessariamente está determinada em um estudo transversal(2).

2       ESTUDO EXPERIMENTAL

É um estudo nas quais as condições estão sobre o direto controle do investigador. Em epidemiologia, um estudo no qual a população é selecionada para um teste planejado de um regime o qual os efeitos são medidos pela comparação dos resultados em um grupo experimental com os resultados de outro grupo de controle. Para evitar o viés do pesquisador e dos membros do experimento e do grupo de controle, tudo deve ser comparado, exceto o regime que é oferecido a ambos. A locação dos indivíduos em um grupo experimental ou de controle é feito aleatoriamente, de preferência. Em um PROCESSO CONTROLADO ALEATÓRIO, os indivíduos são alocados aleatoriamente; em alguns experimentos, como por exemplo, a fluoração da água potável, comunidades inteiras foram (não-aleatoriamente) alocadas em grupos experimentais e de controle(2). Os estudos experimentais são um tipo especial de estudo de coorte em que as condições de estudo – isso é, a seleção dos grupos de tratamento, a natureza das intervenções, o manejo durante o seguimento e a aferição dos desfechos –, são especificadas pelo investigador com o propósito de fazer comparações não-enviesadas. Esses estudos são geralmente referidos como ensaios clínicos. Os ensaios clínicos são submetidos a um controle e a um gerenciamento mais intensivos do que os estudos de coorte. Os pesquisadores estão conduzindo um experimento, análogo aos feitos em laboratório. Eles assumiram a tarefa (com a permissão dos pacientes) de isolar para estudo a contribuição singular de um fator, mantendo constantes, sempre que possível, todos os outros determinantes do desfecho([6]).

2.1     QUASE EXPERIMENTO

É a situação na qual o investigador não tem total controle sobre a locação e/ou tempo de intervenção, no entanto, conduz o estudo como se fosse uma experiência, alocando os sujeitos em grupos. A incapacidade de alocar os sujeitos aleatoriamente é a situação comum que pode ser melhor descrita como um quase-experimento. Ver também EXPERIMENTO NATURAL(2). Num desenho quase experimental, um controle experimental completo não é possível. São desenhos de pesquisa em que o pesquisador inicia um tratamento experimental, mas alguma característica de um experimento verdadeiro está faltando(1).

2.2     ENSAIO CLÍNICO

(Sinônimo: processo terapêutico)

Uma atividade de pesquisa que envolve a administração de um regime teste à humanos para avaliar a sua eficácia e segurança. O termo é sujeito a uma variedade considerável de uso, desde o primeiro uso em humanos sem nenhum tratamento de controle a um experimento desenhado e executado rigorosamente, envolvendo testes e tratamentos de controle e aleatoriedade. Várias fases dos ensaios clínicos são distinguíveis:

Fase I processo Perfis de segurança e farmacológico. A primeira apresentação de uma vacina ou droga candidata em uma população humana para determinar sua segurança e modo de ação. Em teste de drogas, esta fase pode incluir estudos de dose e rotas de administração. Os testes da Fase I normalmente envolvem menos de 100 voluntários saudáveis.

Fase II processo Estudos Piloto de Eficácia. Processos iniciais para o exame da eficácia em 200 a 500 voluntários; com vacinas, o foco é na imunogenicidade, e com as drogas na demonstração de segurança e eficácia em comparação com outros regimes já existentes. Geralmente, mas nem sempre, sujeitos são alocados aleatoriamente em grupos de estudo e controle.

Fase III processo Testes Clínicos Extensivos. Esta fase se destina para a completa avaliação da segurança e eficácia. Envolve um número muito maior, talvez milhares de voluntários, normalmente com alocação aleatória em grupos de estudo e de controle, e pode ter um processo multicentralizado.

Fase IV processo Com as drogas, esta fase é conduzida depois que a autoridade nacional de registro de remédios (por exemplo, o Food and Drug Administration, nos Estados Unidos) aprovar a droga para distribuição ou venda. O processo da Fase IV pode incluir uma pesquisa desenvolvida para explorar um efeito farmacológico específico, para estabelecer a incidência de reações adversas ou para determinar os efeitos a longo prazo. A revisão ética é necessária para os processos da fase IV, mas não para uma rotina de VIGILÂNCIA DE PÓS-COMERCIALIZAÇÃO.

2.2.1    Ensaio Clínico Randomizado

A melhor forma de equilibrar todas as variáveis externas entre os grupos é alocar os pacientes aos grupos aleatoriamente, de forma que cada paciente tenha uma probabilidade igual de ficar no grupo exposto ou não exposto. Uma característica especial da randomização é que ela não apenas equilibra as variáveis que sabidamente afetam o prognóstico, mas também equilibra as que são desconhecidas. Assim, a randomização oferece boa proteção contra as conclusões incorretas sobre os fatores de risco ou prognósticos. Os ensaios clínicos randomizados, nos quais o tratamento é alocado aleatoriamente, são o padrão de excelência para estudos científicos sobre o efeito do tratamento(6).

2.2.2    Ensaio Clínico Não Randomizado

Ensaio clínico em que não se procedeu o encaminhamento aleatório para grupo exposto e não exposto.

2.2.3    Ensaio Clínico Controlado

Um estudo epidemiológico no qual os sujeitos em uma população são aleatoriamente alocados em grupos, normalmente chamados de grupo de estudo e de controle, para receber ou não receber um procedimento experimental preventivo ou terapêutico, manobra ou intervenção. Os resultados são avaliados por uma comparação rígida de taxas de doença, mortes, recuperação ou outros resultados apropriados dos grupos de estudo e de controle. Processos aleatórios controlados são geralmente ditos como o método científico mais rigoroso de teste de hipóteses que podemos encontrar na epidemiologia. Poucos autores referem-se a esse método como “processo de controle aleatório"(2).

2.2.4    Ensaios Clínico Não Controlado

Os ensaios clínicos não-controlados descrevem o curso da doença em um único grupo de pacientes antes e depois da exposição a uma intervenção. Um outro nome para esse delineamento é estudo antes/depois. A hipótese dessa abordagem PE que qualquer melhora observada após o tratamento resulta do próprio tratamento(6).

2.3     CROSSOVER

É o método de comparação de dois ou mais tratamentos ou intervenções no qual os sujeitos ou pacientes, depois de completarem uma etapa de um tratamento são trocados por outro. No caso de dois tratamentos, A e B, metade dos sujeitos são aleatoriamente alocados para receber na ordem A-B, e a outra metade para receber o tratamento na ordem B-A. A crítica deste modelo é que os efeitos do primeiro tratamento podem ser levados para o período que o segundo é dado(2).

3       PESQUISA SECUNDÁRIA

3.1     PESQUISA BIBLIOGRÁFICA

Trata-se do levantamento de toda bibliografia já publicada em forma de livros, revistas, publicações avulsas em imprensa escrita. Sua finalidade é colocar o pesquisador em contato direto com tudo aquilo que foi escrito sobre determinado assunto, com o objetivo de permitir ao cientista o reforço paralelo na análise de suas pesquisas ou manipulação de suas informações([7]).

3.2     REVISÃO INTEGRATIVA

É um método de revisão específico que resume a literatura anterior de base empírica ou teórica para um entendimento mais compreensivo de um fenômeno ou problema sanitário em particular (Broome, 1993). Revisões integrativas tem o potencial de desenvolver a ciência da Enfermagem, informando pesquisas, práticas e iniciativas públicas. Revisões integrativas bem desenvolvidas apresentam o estado da ciência, contribuem para o desenvolvimento teórico e tem aplicação direta na prática e nas políticas([8]).

3.3     REVISÃO SISTEMÁTICA

É a aplicação de estratégias que limitam o viés em uma assembléia, numa avaliação crítica e sintetiza todos os estudos relevantes em um tópico específico. A METANÁLISE pode ser, mas não necessariamente o é, usado como parte deste processo. Revisões sistemáticas focam em publicações revisadas por parceiros sobre um específico problema de saúde e usa métodos padronizados e rigorosos para a seleção e avaliação de artigos. Uma revisão sistemática difere da metanálise por não incluir um sumário quantitativo dos resultados(2).

3.3.1    Revisão Sistemática Qualitativa

A revisão é denominada RS qualitativa, ou simplesmente RS, quando a informação obtida não é passível de análise estatística([9]).

3.3.2    Metanálise

É uma síntese estatística dos dados de um estudo separado ainda que similar, como por exemplo, estudos comparativos que levam ao resumo quantitativo dos resultados encontrados. Nas ciências biomédicas, a avaliação sistemática, organizada e estruturada de um problema de interesse, usando a informação (normalmente na forma de tabelas estatísticas ou outros dados) de um número de estudos independentes sobre um problema. A frequente aplicação tem sido a congregação dos resultados de um conjunto de processos aleatórios controlados, nenhum deles suficientemente fortes para demonstrar diferenças estatísticas significantes, mas se agregados, serão capazes de demonstrá-los. A metanálise tem um componente qualitativo, por exemplo, a aplicação de um critério pré-determinado de qualidade (ex. a complementação de dados, a ausência de viés), e um componente qualitativo (ex. a integração de informação numérica). O objetivo é integrar as descobertas, minar os dados e identificar a tendência geral dos resultados(1). Um pré-requisito essencial é que os estudos devem ser abstêmios de qualquer valor crítico e de qualquer viés(2). Ver também REVISÃO SISTEMÁTICA(2).

4       MÉTODOS ADICIONAIS

4.1     ESTUDO BIBLIOMÉTRICO

A bibliometria surgiu no início do século XX devido à necessidade de estudar e avaliar as atividades de produção e comunicação científica. Por bibliometria, entende-se como “técnica quantitativa e estatística de medição dos índices de produção e disseminação do conhecimento científico”([10]). É um conjunto de leis e princípios empíricos que contribuem para o estabelecimento dos fundamentos teóricos da Ciência da Informação([11]). Possui duas preocupações desde sua origem. Umas delas é analisar a produção científica, enquanto a segunda é buscar benefícios práticos e imediatos para as bibliotecas. Cita como exemplo o desenvolvimento de coleções e a gestão de serviços bibliotecários. A bibliometria foi inicialmente voltada para a medida de livros (quantidade de edições e exemplares, quantidade de palavras contidas nos livros, espaço ocupado pelos livros nas bibliotecas, estatísticas relativas à indústria do livro), aos poucos foi se voltando para o estudo de outros formatos de produção bibliográfica, tais como artigos de periódicos e outros tipos de documentos, para depois ocupar-se, também, da produtividade de autores e do estudo de citações(10).

4.2     ESTUDO ECOLÓGICO

É um estudo no qual as unidades de análise são as populações ou grupos de pessoas, ao invés de indivíduos. Um exemplo é o estudo de associação entre a classe média e as taxas de mortalidade por câncer em jurisdições administrativas como estados e países(2).

4.3     PESQUISA METODOLÓGICA

Envolve investigações dos métodos de obtenção e organização de dados e condução de pesquisas rigorosas. Os estudos metodológicos tratam do desenvolvimento, da validação e da avaliação de ferramentas e métodos de pesquisa. As crescentes demandas por avaliações de resultados sólidas e confiáveis, testes rigorosos de intervenção e procedimentos sofisticados de obtenção de enfermeiros pesquisadores(4).

4.4     ESTUDO PSICOMÉTRICO

A psicometria é um ramo da estatística que estuda fenômenos psicológicos. Foi desenvolvida por estatísticos de formação e, por isso, ainda é definida como um ramo da estatística. Para os psicólogos, ela deve ser concebida como um ramo da psicologia que faz interface com a estatística. A psicometria não trata apenas de métodos; ela se insere na teoria da medida que trata da utilização de números no estudo dos fenômenos naturais. Medir significa atribuir valores a características ou atributos de um objeto, segundo regras que assegurem a validade e a confiabilidade dos resultados da medida.

Há diversas formas de atribuir valores ou números às características dos objetos. A psicometria fundamenta-se na medida por teoria e para melhor compreendê-la é necessário uma explanação sobre os outros tipos de medida: fundamental e derivada([12]).

4.5     ETNOGRAFIA

Principal tradição de pesquisa da antropologia fornece uma estrutura para o estudo de padrões, estilos de vida e experiências de um grupo cultural específico de modo holístico. Os etnógrafos costumam se engajar em extensivos trabalhos de campo, participando, com freqüência e tanto quanto possível, da vida da cultura estudada. O objetivo dos pesquisadores é aprender com os membros de um grupo cultural (mais do que estudar esse grupo) para, então, compreender sua visão de mundo de modo como o percebem e vivem(4).

4.6     ETNOMETODOLOGIA

A etnometodologia visa a descobrir como as pessoas dão sentido a suas atividades diárias e interpretam seus mundos sociais de modo a se comportarem de maneiras socialmente aceitáveis. Nessa tradição, os pesquisadores tentam compreender normas e suposições de determinado grupo social que estão tão profundamente enraizadas a ponto de seus membros já não precisarem mais pensar sobre as razões subjacentes de seus comportamentos(4).

4.7     ETOLOGIA

A disciplina da psicologia tem várias tradições da pesquisa qualitativa com foco no comportamento. A etologia humana, que tem sido descrita como a biologia do comportamento humano, estuda o comportamento como se apresenta em seu contexto natural. Os etólogos humanos usam principalmente métodos de observação, na tentativa de descobrir estruturas de comportamento universais(4).

4.8     FENOMENOLOGIA

Originária de uma tradição filosófica desenvolvida por Husserl e Heidegger, está relacionada com experiências vividas por humanos. É uma abordagem usada para pensar como são as experiências de vida das pessoas e o que elas significam. Os fenomenologistas acreditam que a experiência vivida dá significado à percepção que cada pessoa tem de determinado fenômeno. O objetivo de investigação fenomenológica é compreender inteiramente a experiência vivida e as percepções que ela gera. Quatro aspectos que interessam aos fenomenologistas são: espaço vivido ou espacialidade; corpo vivido ou corporalidade; tempo vivido ou temporalidade; e relação humana vivida ou relacionamento(4).

4.9     HERMENÊUTICA

Tem suas raízes disciplinares na filosofia. Ela aborda o significado das experiências vividas pelos seres humanos. Uma tradição de pesquisa proximamente relacionada é a hermenêutica, que usa experiências vividas como ferramenta para melhor compreender os contextos: social, cultural, político ou histórico em que ocorrem. A pesquisa hermenêutica enfatiza o significado e a interpretação – como os indivíduos interpretam o mundo dentro de dado contexto(4).

4.10  PESQUISA AÇÃO PARTICIPATIVA

Uma forma de estudo conhecido como pesquisa ação participativa (PAP) está estreitamente associado tanto a análise crítica quanto feminista. A PAP, um dos vários tipos de pesquisa de ação, desenvolvida na década de 1940 pelo psicólogo Kurt Lewin, baseia-se na constatação de que a produção de conhecimento pode ser política e usada para exercer poder. Os pesquisadores dessa abordagem trabalham, tipicamente, com minorias ou comunidades vulneráveis ao controle ou à opressão de um grupo ou cultura dominante(4).

4.11  PESQUISA DE AVALIAÇÃO

Aborda o desenvolvimento de informações úteis sobre um programa, prática, procedimento ou política – informações fundamentais para que a pessoa responsável possa decidir pela adoção, pela modificação ou pelo abandono da prática ou programa. Comumente, o que está sendo avaliado é uma nova intervenção. Na situação atual, em que os custos com saúde crescem cada vez mais, as avaliações de programas podem incluir também a análise econômica (de custos) para determinar se os benefícios superam os custos financeiros. Administradores e funcionários responsáveis pelas políticas públicas, para tomar decisões sobre alocação de recursos para serviços de saúde, não avaliam apenas se alguma solução “funciona”, mas também se s economicamente viável. As análises de custos são feitas, tipicamente, em conjunto com as avaliações de impactos (ou com os ensaios clínicos da fase III), ou seja, quando os pesquisadores geram dados persuasivos em relação à eficácia do programa(4).

4.12  PESQUISA HISTÓRICA

Os estudos de natureza sócio-histórica compreendem o estudo dos grupos humanos no seu espaço temporal e preocupado em discutir os variados aspectos do cotidiano das diferentes classes e grupos sociais([13]). O método de pesquisa histórica caracteriza-se como uma abordagem sistemática por meio de coleta, organização e avaliação crítica de dados que tem relação com ocorrências do passado(1).Três passos são considerados essenciais na produção de um trabalho histórico: 1) levantamento de dados; 2) avaliação crítica destes dados e finalmente, 3) apresentação dos fatos, interpretação e conclusões([14]). Um dos objetivos da investigação histórica é lançar luzes sobre o passado para que este possa clarear o presente, inclusive fazer perceber algumas questões futuras(13). A metodologia histórica pode surgir dentro de uma abordagem quantitativa ou qualitativa, entretanto a natureza da história é fundamentalmente narrativa (qualitativa) e não numérica (quantitativa)(1).

4.13  REPRESENTAÇÕES SOCIAIS

A Teoria das Representações Sociais, preconizada pelo psicólogo social europeu Serge Moscovici, está principalmente relacionada com o estudo das simbologias sociais a nível tanto de macro como de micro análise, ou seja, o estudo das trocas simbólicas infinitamente desenvolvidas em nossos ambientes sociais; de nossas relações interpessoais, e de como isto influencia na construção do conhecimento compartilhado, da cultura. As representações sociais têm como uma de suas finalidades tornar familiar algo não familiar, isto é, uma alternativa de classificação, categorização e nomeação de novos acontecimentos e idéias, com a quais não tínhamos contato anteriormente, possibilitando, assim, a compreensão e manipulação destes à partir de idéias, valores e teorias já preexistentes e internalizadas por nós e amplamente aceitas pela sociedade. As representações sociais são definidas como uma forma de conhecimento socialmente elaborada e partilhada, tendo uma visão prática e concorrendo para uma realidade comum a um conjunto social([15]). Constituem uma forma de conhecimento prático que contempla o saber do senso comum, e são uma orientação para a ação a qual engloba uma rede de representações que ligam o objeto a um contexto([16]).

4.14  SOCIOPOÉTICA

A sociopética é toda prática social de produção do conhecimento que afirma a importância do corpo na construção do imaginário, base das abstrações, a importância das culturas dominadas e dos conceitos que elas produzem, o papel dos sujeitos pesquisados como coresponsáveis dos conhecimentos produzidos, o papel da criatividade de tipo artística no aprender, no conhecer e no pesquisar, a importância do sentido espiritual humano nas formas e dos conteúdos do saber. Defender estes princípios é garantir a ocorrência de processos de desconstrução/construção desde o uso da multirreferencialidade([17]).

4.15  PESQUISA CONVERGENTE ASSISTENCIAL

É um tipo de pesquisa que, em seu desenvolvimento, sustenta estreita relação com a situação social e objetiva encontrar soluções para problemas, realizar mudança e introduzir inovações na situação social. Quando utilizada pela enfermagem, inclui atividades de cuidado/assistência, contudo não se consolida com o ato de cuidar ou de assistir, que é apenas parte do processo de pesquisa. Essa modalidade de pesquisa procura descobrir realidades, resolver problemas ou introduzir inovações num determinado contexto da prática assistencial, semelhante à pesquisa-ação que, discute e implementa ações com o fim de melhorar o mundo real([18]).

4.16  TEORIA FUNDAMENTADA EM DADOS

Abordagem indutiva que implementa um conjunto sistemático de procedimentos para chegar à teoria sobre processos sociais básicos(1).

A teoria fundamentada tornou-se um importante método de pesquisa para enfermeiros pesquisadores e tem contribuído para o desenvolvimento de muitas teorias de médio alcance sobre fenômenos relevantes para os enfermeiros. Ela foi desenvolvida na década de 1960 por dois sociólogos, Glaser e Strauss (1967), cujas raízes teóricas encontram-se na interação simbólica, que foca o modo como as pessoas dão sentido às interações sociais e às interpretações que elas atribuem aos símbolos sociais (p. ex., a linguagem)(4).

 

DISCUSSÃO

Diversas são as causas de rechaço de artigos científicos quando submetidos às revistas. Muito dos quais nem chegam a ser designados para avaliação por pares, posto que não atendem aos requisitos de formatação dos periódicos. Nesse sentido, diversos periódicos como o Online Brazilian Journal of Nursing seguindo tendências internacionais de qualidade recomenda a descrição explícita do desenho de pesquisa adotado pelo autor nos metadados, no título e na seção de métodos. Essa diretriz tem como fundamento a facilitação para leitor e visibilidade para o artigo e periódico.

Por outro lado, a padronização de linguagem facilita o entendimento e o ensino de metodologias. Contudo, a reavaliação da presente proposta é um ato contínuo na qual a contribuição de expertos sempre será bem vinda.

 

CONCLUSÃO

A ferramenta proposta constitui-se num facilitador para os autores em diferentes seções dos artigos: título, metodologia e metadados.

 

REFERÊNCIAS



[1] LoBiondo-Wood G, Haber J. Pesquisa em enfermagem: métodos, avaliação crítica e utilização. 4ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara; 2001.

[2] Last JM. A dictionary of epidemiology. 4th ed. New York: Oxford University; 2001.

[3] Gil AC. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5ª ed. São Paulo:Atlas; 1999.

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