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The use of individual protection equipment for nurses of a hospital

Utilização de equipamentos de proteção individual por enfermeiros de uma unidade hospitalar

Mayara de Oliveira Fernandes1, Kátia Nêyla de Freitas Macêdo-Costa2, Grazielle Roberta Freitas da Silva3, Patrícia de Lemos Negreiros4

1. Universidade Vale do Acaraú; 2. Universidade Federal da Paraíba; 3. Universidade Federal do Piauí; 4.Programa de Saúde da Família da cidade de Quixeramobim, Ceará.

Abstract. Introduction: The individual protection equipment(IPE) is of measures to minimize and even though to eliminate hazards to worker’s health. Its use is essential in the environment of worker’s nursing. Aims: To observe the use of the IPE for nurses in a hospital. Materials and Method: Observation research’s quantitative through in julho/2007, on small hospital in the Ceará. It was carried through with 05 nurses, in which if it used an instrument of the type check-list. The data had been organized and analyzed in pictures and graphics and subdivided for procedures.Results: The following procedures had been observed: peripheral venous of long permanence, auscultation pulmonary, dressing, probe delay vesical, vaginal childbirth, orotraqueal aspiration, vaginal touch and vaccination. Lack of the protection equipment was identified; however it had the use on the part of the nurses. The closed shoes had been the equipment most used, followed the glove, the dressing gown and the mask. The cap and the eyeglasses had not appeared. Conclusions: Due to the hazards occupational exposition in the hospital attendance, them they need to be acquired knowledge beyond demanding of the institutions the acquisition and use of the IPE.

Keywords: occupational risks, health occupational, nursing. 

Resumo. Introdução: Os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) consistem em medidas para minimizar e até mesmo eliminar riscos na saúde do trabalhador. Seu uso é essencial no ambiente de trabalho de enfermagem. Objetivo: Observar a utilização dos EPIs por enfermeiros em uma unidade hospitalar. Materiais e Métodos: Pesquisa observacional de caráter quantitativo realizada em julho/2007, em um hospital de pequeno porte no Ceará. Foi realizada com 05 enfermeiros, no qual se usou um instrumento do tipo check-list. Os dados foram organizados e analisados em quadros e gráficos e subdivididos por procedimentos. Resultados: Observaram-se os seguintes procedimentos: punção venosa de longa permanência, ausculta pulmonar, curativo, cateterismo vesical de demora, parto vaginal, aspiração orotraqueal, toque vaginal e vacinação. Identificou-se carência dos equipamentos de proteção, porém houve a utilização em parte por parte dos enfermeiros. Os sapatos fechados foram os equipamentos mais usados, seguidos da luva, do jaleco e da máscara. O gorro e os óculos não apareceram em nenhuma circunstância. Considerações finais: Devido às periculosidades e as insalubridades as quais os enfermeiros estão expostos, eles necessitam ser conscientizados além de exigir das instituições a aquisição e uso dos EPIs.

Descritores: Riscos ocupacionais, saúde ocupacional; enfermagem.

INTRODUÇÃO

Acidentes por uma exposição ocupacional incluem o contato das mucosas, a pele não integra, bem como os acidentes percutâneos, contato com sangue e outros materiais biológicos, potencialmente veiculadores do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), Hepatite B e C (HBV e HCV), desencadeando assim uma infecção ocupacional que eventualmente podem ocorrer no ambiente de trabalho(1,2).

Pode – se identificar como fatores de risco para a exposição ocupacional, o nível de conhecimento dos profissionais sobre as normas de precauções padrão, incluindo a lavagem das mãos, as barreiras de proteção e os cuidados no uso e manuseio de agulhas e outros objetos pérfuro cortantes. Todos esses cuidados devem ser adotados em cada procedimento, porém observa-se no cotidiano em muitas instituições de saúde brasileiras a não disponibilidade desses recursos, e até mesmo a banalização por parte dos profissionais de saúde em usar medidas de segurança.

Embora no Brasil, não se tenha dados sistematizados que permitam conhecer a real magnitude do problema direcionados a prevenção de acidentes de trabalho referente a acidentes com sangue e fluidos corpóreos, um número crescente de pesquisas tem sido enfático, alertando para os riscos e trazendo avanços para o conhecimento na área e indicando a necessidade de adoção de ações preventivas(2).

Aproximadamente 6.000 casos de infecção acidental em trabalhadores de hospital, envolvendo 100 diferentes tipos de agentes de risco biológico. O meio mais eficaz para reduzir essas estatísticas se resume em adotar as medidas de uso dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI), que consiste no uso de luvas, de avental, de máscara, de óculos ou protetor facial, sapatos, gorro e a notificar os casos com material biológico, através de educação continuada, mostrando a importância da utilização e adequação dessas medidas na rotina de trabalho da instituição e a realização de exames periódicos nos trabalhadores, além de em infecções comprovadas, fornecer devida assistência amparada pela legislação(3).

Para cada procedimento, cada patologia, exige dos profissionais, em especial dos enfermeiros, cuidado específico para minimizar e até mesmo eliminar riscos de uma infecção acidental através do uso desses equipamentos.

Sendo assim, este estudo reflete sobre a importância de medidas de biossegurança, especificamente os EPIs em hospitais, que são fundamentais para a proteção dos profissionais de saúde. Tais medidas abrangem tanto questões de ordem administrativa, de organização do trabalho, como relacionadas à educação continuada, e ao controle de qualidade e prevenção de acidentes. Dessa forma objetivou-se: Observar a utilização dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) por enfermeiros em uma unidade hospitalar.

MATERIAIS E MÉTODOS

Trata – se de um estudo de caráter descritivo exploratório, com abordagem quantitativa. Para isso se usou a técnica da observação não-participante. Foi desenvolvido na clinica médica (CM), clínica obstétrica (CO) e clínica cirúrgica (CC) de uma unidade hospitalar de pequeno porte, com 68 leitos em um município do interior do Ceará, em julho de 2007. Nesse hospital o enfermeiro que está de plantão do setor de CM, é também responsável pela CO e CC, por essa razão optou-se por esses setores.

A instituição oferece serviços de obstetrícia, clinica cirúrgica e médica, emergência e traumatologia. A clinica medica é composta por 09 enfermarias, às quais somatizam 32 leitos. A clinica cirúrgica possui 12 leitos, a maternidade tem 16 leitos (08 na sala de pré – parto e 08 na pós – parto) e a emergência apresenta 08 leitos.

Intentou – se trabalhar com todos os enfermeiros que atuam na clinica médica, 14 enfermeiros, durante o período de coleta. Porém apenas cinco atuaram no setor no período pré-estabelecido. As observações foram realizadas no turno da tarde e noite do mês de julho. Para coleta utilizou-se um instrumento para registro das observações dos procedimentos do tipo check-list. Nesse instrumento havia além de dados de identificação do profissional observado, o procedimento por ele realizado e quais EPIs o mesmo fazia uso no momento.

Os dados foram agrupados em quadros e gráficos. Para preservar a identificação dos sujeitos, foi utilizada a letra “E”.  Foram respeitadas as normas da resolução 196 /96 do Conselho Nacional de Saúde. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Foram observados 05 enfermeiros que atuavam nos locais selecionados da instituição, mediante assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido. Abaixo o quadro 1 com dados de caracterização dos enfermeiros observados.

QUADRO 01: Caracterização dos enfermeiros segundo idade e tempo de formação. Ceará, 2007

Enfermeiro (a)

Idade (anos)

Tempo de Formação  (anos)

E1

31

10

E2

24

01

E3

37

02

E4

28

04

E5

52

25

 

A idade dos profissionais enfermeiros variou de 24 anos a 52 Anos. Em relação ao tempo de serviço, verifica – se diferenças de 01 à 25 anos de profissão. No qual três deles eram do sexo feminino, e dois do sexo masculino. Quatro afirmaram ser casados, e os cinco possuíam mais de um emprego. O que muitas vezes até pode comprometer as condições físicas e mentais do trabalhador e refletir na qualidade da assistência e facilitação da ocorrência de acidentes.

A seguir encontra-se o quadro 2, referente ao enfermeiro, os EPIs usados, e os procedimentos na ordem que foram observados, a saber: punção venosa de longa permanência, ausculta pulmonar, curativo, cateterismo vesical de demora, parto vaginal, aspiração orotraqueal, toque vaginal e vacinação. Ressalta-se que os espaços sombreados correspondem àqueles equipamentos que de fato foram usados.

QUADRO2: EPI’s utilizados em procedimentos realizados pelos enfermeiros. Ceará, 2007.

PUNÇÃO VENOSA

Enfermeiro

Luvas

Jaleco

Óculos

Máscara

Gorro

Sapato

E3

 

 

 

 

 

 

E4

 

 

 

 

 

 

E5

 

 

 

 

 

 

AUSCULTA PULMONAR

E1

 

 

 

 

 

 

E2

 

 

 

 

 

 

CURATIVO

E2

 

 

 

 

 

 

CATETERISMO VESICAL DE DEMORA

E1

 

 

 

 

 

 

PARTO VAGINAL

E3

 

 

 

 

 

 

TOQUE VAGINAL

E3

 

 

 

 

 

 

ASPIRAÇÃO ORONASOTRAQUEAL

E3

 

 

 

 

 

 

VACINAÇÃO

E5

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Referente ao procedimento punção venosa de longa de permanência (Abocate®), três dos enfermeiros a realizaram. Esse procedimento foi realizado em um paciente senil com desidratação moderada, e em uma paciente com diagnóstico de câncer pulmonar. Pode - se observar, que o procedimento foi realizado por três enfermeiros, E3, E4 e E5, todos usaram luvas e máscaras. Dois utilizaram sapatos fechados e apenas um fez uso de jaleco.

Para que esse procedimento seja realizado de forma segura para o profissional, deve – se usar EPI´s adequados, devido ao grande retorno sangüíneo, se não for conectado rapidamente ao equipo do soro(4). No hospital campo do estudo, a punção de longa permanência, é atividade realizada exclusivamente pelos enfermeiros. Como observado esses profissionais utilizam como meio de proteção individual luva de procedimento e máscara cirúrgica.

A literatura não faz especificações quanto ao uso de materiais estéreis neste momento. Recomenda-se apenas o uso de luvas de procedimento, aventais e sapatos fechados, pelo grande retorno venoso, que pode expor o profissional a fluidos corpóreos.

Em um estudo realizado em um hospital na cidade de Londrina, Paraná, das 253 fichas de notificação de acidentes com material biológico analisadas,verificou-se que 92,5% foram causados por objetos perfuro-cortantes(5). Sendo importante enfatizar o uso dos EPIs e a sua não banalização.

Além dessa pode - se observar que alguns profissionais, utilizaram para trabalhar no setor de CM do hospital, roupas estéreis de forma contínua, devido a necessidade de adentrar nos setores restritos do hospital(CC).Esse fato faz com que os profissionais não usem avental/jaleco. Segundo Feitosa et al(2)  essa vestimenta necessita ser trocada em caso de contato com materiais potencialmente contaminados, visando à própria proteção, do paciente e do ambiente. Não se trata de uma vestimenta adequada para setores de clínica e sim para ambiente estéril.

Referente à ausculta pulmonar, essa foi realizada em pacientes com suspeitas de tuberculose. De acordo com os dados dois enfermeiros realizaram esse procedimento, no qual apenas um usou jaleco e dois fizeram uso de máscara simples e sapatos fechados.

Os enfermeiros que realizaram esse procedimento não usaram máscara N 95, que visa a proteção contra doenças por transmissão aérea como a tuberculose, devido a sua eficiência de 95% de filtração de partículas menores que 0,5 µm(6). As máscaras simples não protegem contra essa patologia o que deixa os profissionais mais vulneráveis.

Estudo recente revela que os profissionais de enfermagem ainda apresentam conhecimento equivocado quanto à tuberculose bem como aos riscos ocupacionais que estão expostos quando prestam assistência à essa clientela(7).

No período de coleta de dados faltou máscaras simples na instituição, o que fez os profissionais as usarem apenas em pacientes com diagnóstico de doença respiratória. Além disso, pode-se observar também que a troca por máscaras novas praticamente inexistiu por parte dos enfermeiros, como forma de economizar as poucas unidades existentes.

A equipe de enfermagem no Brasil representa a maior parte do contingente da força de trabalho na área da saúde, assim como apresenta algumas características que justificam e acentuam sua exposição aos riscos ocupacionais(8). Acidentes de trabalho podem ser resultantes de imperícia, descuidos, ausência de uso ou uso incorreto dos EPIs que por vezes estão freqüentemente relacionadas à sua não disponibilidade no local de trabalho(1). O artigo 157 da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) explicita que cabe aos empregados observar as normas de biossegurança, colaborando com a empresa na aplicação de precauções no sentido de evitar acidentes de trabalho ou doenças ocupacionais(9)  

Os profissionais observados praticamente permaneceram com a mesma máscara pendurada no pescoço durante todo o seu plantão. Pereira (4) afirma que esse equipamento de proteção individual deve ser removido ou descartado após o uso, ou quando se mostrarem úmidas e não devem permanecer no pescoço ou nos bolsos para uso futuro.

Já os curativos, foram realizados por um mesmo enfermeiro em dois pacientes distintos, o primeiro com ferida de apendicectomia, e o outro com sutura ocasionado devido acidente por objeto pérfuro–cortante. O profissional E2 usou luvas, máscara e sapatos fechados para os dois tipos de curativos cirúrgicos observados.

O tipo de curativo varia com a natureza, a localização, o tamanho da ferida bem como outras características. E de acordo com o risco de contaminação o enfermeiro deve adequar-se quanto ao uso de equipamentos individuais. O uso de jaleco protege a pele e exposição à sangue e fluidos corporais que muitas vezes podem ser produzidos por feridas contaminadas por exemplo.

Seguindo com o procedimento de cateterismo vesical de demora, um profissional o realizou, o enfermeiro E1, usou luva, jaleco, máscara e sapatos fechados. Esse enfermeiro foi o único a usar jaleco de mangas compridas. É recomendável ser compridas para proteger braços e antebraços(1,3) .

Na CO, houve um parto vaginal de emergência evidenciado no próprio leito da paciente. No momento em que a paciente levantou-se do leito a bolsa rompeu. O E3 que auxiliou a realização de parto normal de multípara junto ao obstetra, usou máscara cirúrgica, sapatos fechados, luvas e jaleco.

O enfermeiro estava usando todos os EPI´s recomendados pela literatura, que a propósito tiveram grande importância para evitar a exposição do profissional enfermeiro com fluidos do parto.  O sapato fechado e o jaleco foram indispensáveis nesse instante para proteção do profissional das secreções do parto (sangue, líquido anminiótico, mecônio).

Ainda nesse setor, houve a realização, por parte do enfermeiro E3, de toque vaginal em outra gestante, e os EPI´s  usados foram os seguintes: luvas, jaleco e sapatos fechados. O toque vaginal tem papel fundamental na checagem da dilatação e a posição do bebê. Alguns profissionais o realizam durante a contração, o que pode ser um tanto dolorido e desconfortável para a parturiente(10). Sendo uma vez prezado pela legislação do Conselho Regional de Enfermagem do Ceara, no Artº 11, sub -item I, no qual diz que é privativo do enfermeiro a assistência de enfermagem a gestante, parturiente e puérpera, como o acompanhamento da evolução e do trabalho de parto sem distorcia(11). Incluindo assim esse procedimento essencial para o preparo da mulher para o parto. O número de toques deve ser reduzido ao mínimo necessário, a experiência mostra que é difícil instituir regras para todos os casos.

No hospital, o enfermeiro realizou esse procedimento com jaleco, sapatos fechados e luvas estéreis, como preconiza a literatura(1). Não fazendo uso somente de máscara, justificado pelo fato do número reduzido desse equipamento, o profissional veio do setor CM e seguindo o principio de contaminação a retirou.

Estudo realizado com 694 estudantes do quinto ao décimo segundo semestres do curso de medicina em Minas Gerais foram relatados 349 acidentes. Desses os principais contaminantes foram sangue (88,3%) e secreção vaginal (1,7%). Sendo a clinica obstétrica o segundo lugar onde mais ocorreram acidentes(12).

Dando prosseguimento às observações, o enfermeiro E3, realizou a aspiração orotraqueal em um recém - nascido (RN), continuando com a utilização dos mesmos EPI´s.

Para realizar a aspiração das vias aéreas, deve – se usar sondas traqueais maleáveis, descartáveis, de tamanhos variados, com três orifícios (no mínimo) na extremidade distal, que são dispostos lateralmente e na ponta, para que não haja colabamento da traquéia, que pode provocar ulcerações e sangramentos. É recomendável que possua válvula digital para controle da pressão do vácuo e que o diâmetro externo não exceda 1/3 do diâmetro interno do tubo endotraqueal ou traqueóstomo. Durante a aspiração pode ser necessário o suporte de oxigênio de acordo com o quadro clínico do paciente(3) .

Para que seja realizada de forma asséptica, é importante antes de iniciar o procedimento lavar as mãos com técnica correta, abrir a ponta do papel da sonda estéril, adaptá-la à conexão do vácuo, abrir o vácuo e, em seguida, calçar luvas estéreis, segurando-a com uma das mãos e com a outra desconectando o respirador. Em seguida, introduz-se o cateter na traquéia do RN através do tubo endotraqueal o qual deverá estar ligado a um sistema aspirador; a aspiração será realizada quando a ponta do cateter estiver no interior da traquéia(3).

E analisando os dados observados no hospital, pode – se observar que o enfermeiro usou para aspiração endotraqueal em RN, uma sonda própria para aspiração, e enquanto EPI´s utilizou luvas e jaleco que embora seu uso seja tradicional em berçários e unidades de cuidado intensivo, não tem papel comprovado pela literatura na interrupção ou reversão da transmissão de microorganismos, mas minimiza as doenças/acidentes ocupacionais dos profissionais de saúde(13). Preconizando os fatores observados, o enfermeiro estava parcialmente protegido, contra possíveis fluidos que poderiam existir. O profissional só não fez uso de máscara e óculos.

Na sala de pós – parto, um RN foi vacinado pelo enfermeiro E5.  Esse profissional usou máscara cirúrgica na administração das vacinas de BCG e Hepatite B.

O programa Nacional de Imunização tem como objetivo, em primeira instância, o controle de doenças imuno–preveníveis através de amplas coberturas vacinais, com finalidade de que a população possa ser provida de adequada proteção imunitária(14).

E no hospital em questão, o enfermeiro realizou as vacinas usando máscara cirúrgica como EPI. Segundo a literatura, em berçário deve – se manter a esterilização do ambiente, onde os funcionários, antes de entrarem devem lavar as mãos, antes e após manuseio com os RN. Acrescido a isso as jóias e os relógios devem ser retirados para possibilitar a remoção total da flora bacteriana patológica e as unhas devem ser mantidas curtas e limpas. Tanto a roupa para o uso pessoal que cuidam de RNs, como as que servem para os mesmos, devem ser esterilizadas. Fazendo – se obrigatório o uso de gorro, avental e propés(1,15)

No hospital campo dessa pesquisa, não há estruturação física para se ter um berçário, um ambiente livre de contaminação. Pois trata – se de um hospital de pequeno porte com carências que não proporciona ainda nem o próprio conforto das pacientes. Além disso, também há carência de materiais, como os EPI suficientes, disponibilizados para os profissionais.  

Como evidenciado na instituição observada existe apenas um óculos protetor no setor de CO, mas nenhum profissional faz uso. O estudo de Almeida e Pagliuca(16) encontrou manchas cicatricionais na retina de enfermeiro após acidente ocular com a vacina BCG(16),o que reforça para importância do uso dos óculos nesse procedimento.

O gráfico abaixo mostra os EPIs mais utilizados considerando todos os procedimentos observados pelos enfermeiros.

Grafico 1: EPIs utilizados nos procedimentos dos enfermeiros observados. Ceará, 2007.

 

Segundo o gráfico, pode – se observar que os sapatos fechados foram os equipamentos mais usados, seguidos da luva, do jaleco e da máscara. O gorro e os óculos não apareceram em nenhuma circunstância.

O gorro tem por função evitar a aspersão de partículas do couro cabeludo e dos cabelos para o campo operatório(1). São artigos descartáveis, que oferecem proteção da exposição dos cabelos e couro cabeludo a matéria orgânica ou produtos químicos, bem como em situações assépticas oferecem a proteção ambiental a escamas do couro cabeludo e cabelos. Por tanto, devem possibilitar a proteção de todo o cabelo, evitando – se a exteriorização de suas partes(6).

Já os óculos usados para proteger a mucosa conjuntiva contra possíveis respingos de sangue e secreções são reutilizáveis, devendo ser de material acrílico, para não interferir na acuidade visual do profissional, e permita uma perfeita adaptação à face, oferecendo, ainda, proteção lateral(1,4).

São usados em procedimentos que possam gerar respingos de sangue, líquidos corporais, secreções e excreções ou quando o paciente apresentar sintomatologia respiratória, evitando assim a exposição da conjuntiva ocular(3,4).  Após o uso devem ser lavados com água e sabão e receber desinfecção com o germicida, orientado pelo fabricante ou pelo serviço de saúde(6).

Um estudo realizado em uma instituição pública na cidade de Fortaleza, com objetivo de identificar trabalhadores de enfermagem que sofreram acidentes oculares evidenciou 10 profissionais, sendo uma enfermeira, duas técnicas e sete auxiliares, que sofreram esse tipo de acidente. Encontrou os seguintes resultados de acordo com o tipo de material causador do trauma: com substância química (4), com medicações (3), por trauma mecânico (1), escalpe (1) e urina (1). Diante desses achados, é interessante enfatizar que trabalhadores necessitam minimizar a ocorrência de novos acidentes. Uma medida essencial é o uso de óculos protetor, que ainda tem pouca adesão por parte dos trabalhadores de enfermagem(17).

Sendo as precauções-padrão uma medida de prevenção primária da exposição ocupacional a material biológico é indiscutível a necessidade de buscar estratégias de intervenção capazes de modificar o comportamento dos profissionais de saúde para uma maior adesão e minimizar as estatísticas dos acidentes de trabalho bem como as doenças ocupacionais(17, 18).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

È importante relatar a situação atual vivenciada pelos profissionais de saúde, principalmente no interior dos estados nordestinos. No qual, assim como muitos lugares do Brasil onde os baixos salários predominam e os enfermeiros necessitam ter mais de um emprego, tal prática pode danificar a integridade física e psíquica desse profissional. Devido as periculosidades e as insalubridades as quais esses profissionais estão expostos, eles necessitam ser conscientizados além de exigir das instituições a aquisição e uso de EPIs. Desse modo, será possível estimular a mudança de atitude, e a consolidação de adoção de melhores comportamentos preventivos.

REFERÊNCIAS

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3. Potter PA, Perry AG. Fundamentos de enfermagem. 6ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 2006.

4. Pereira MS., Assistência Hospitalar ao Paciente Portador de Queimaduras na perspectiva do Controle de Infecção: um estudo de caso. Revista Eletrônica de Enfermagem[on line] 2002; [citado 2008  Ago  30], 4(1): 40 – 50. Disponível em http://www.fen.ufg.br/revista/revista4_1/hospital.html>

5.Spagnuolo RS, Silva BRC, Amaral IA. Análise epidemiológica dos acidentes com material biológico registrados no Centro de Referência em Saúde do Trabalhador - Londrina-PR. Rev. bras. epidemiol. 2008; 11(2): 315-323.

6. Dopico LS et al. Procedimentos de Enfermagem: Semiotécnica para o cuidado. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004.

7. Souza JN, Bertolozzi MR. The vulnerability of nursing workers to tuberculosis in a teaching hospital. Rev. Latino-Am. Enfermagem 2007;  15(2): 259-266.

8. Lopes ACS, Oliveira AC, Silva JT, Paiva MHRS. Adesão às precauções padrão pela equipe do atendimento pré-hospitalar móvel de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Cad. Saúde Pública 2008;  24(6): 1387-1396.

9.Balsamo AN, Felli VEA. Estudos sobre os acidentes de trabalho com exposição aos líquidos corporais humanos em trabalhadores da saúde de um hospital universitário. Rev Latino Am Enfermagem 2006; 14(3): 346 – 53.

10. Rezende J. Obstetrícia Fundamental. 10 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.

11. Coren. Conselho Regional de Enfermagem Seção Fortaleza-Ceará. Legislação 2007.

12. Reis JMB, Lamounier FA, Rampinelli CA, Soares ECS, Prado RS, Pedroso ÊRP. Training-related accidents during teacher-student-assistance activities of medical students. Rev. Soc. Bras. Med. Trop.  2004;  37(5): 405-408.

13. Rodrigues, RMR, Machado AAA., Figueiredo MMAC. Health care workers and AIDS: a differential study of beliefs and affects associated with accidental exposure to blood. Cad. Saúde Pública 2005;  21(1): 283-291.

14.Fundação Nacional de Saúde. Ministério da Saúde do Brasil. Manual de Procedimentos para Administração de Vacinas 2003.

15. Lopes FA, Júnio DC. Tratado de Pediatria – Sociedade Brasileira de Pediatria. Rio de Janeiro: Manole, 2007.

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17. Brevidelli M, Cianciarullo T. Compliance with standard-precautions among medical and nursing staff at a university hospital. Online Brazilian Journal of Nursing[periódico na Internet].2006[citado 2008  Ago  30]; 522. Disponível em: http://www.uff.br/objnursing/index.php/nursing/article/view/291/57

18. Soares J, Cezar-Vaz M. Hazards to worker’s health: a literature review. Online Brazilian Journal of Nursing[periódico na Internet]. 2006  [citado 2008  Ago  30]; 516. Disponível em : http://www.uff.br/objnursing/index.php/nursing/article/view/510/118

 

Contribuição de cada autor: - Concepção e desenho: Mayara de Oliveira Fernandes, Kátia Nêyla de Freitas Macêdo-Costa. - Análise e interpretação: Mayara de Oliveira Fernandes, Kátia Nêyla de Freitas Macêdo-Costa, Grazielle Roberta Freitas da Silva - Escrita do Artigo: Mayara de Oliveira Fernandes, Kátia Nêyla de Freitas Macêdo-Costa, Grazielle Roberta Freitas da Silva, Patrícia de Lemos Negreiros. - Revisão crítica do artigo: Mayara de Oliveira Fernandes, Kátia Nêyla de Freitas Macêdo-Costa, Grazielle Roberta Freitas da Silva, Patrícia de Lemos Negreiros.- Aprovação Final do Artigo: Kátia Nêyla de Freitas Macêdo-Costa, Grazielle Roberta Freitas da Silva - Colheita de dados: Mayara de Oliveira Fernandes, Patrícia de Lemos Negreiros.

 

Endereço para correspondência: Kátia Nêyla de Freitas Macedo-Costa.

Universidade Federal da Paraíba., Cidade Universitária - João Pessoa - PB - Brasil - CEP - 58051-900. Fone: +55 (083) 3216-7200. E-mail: katianeyla@yahoo.com.br

 





 

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