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The nursing care in the spiritual dimension: undergraduates’ experience

 O cuidado de enfermagem na dimensão espiritual: vivência do estudante de graduação

 

Janei Rabello de Souza1, Mariluci Alves Maftum2, Verônica de Azevedo Mazza3

 1. Centro de Educação Profissional Premium, PR, Brasil. 2. Universidade Federal do Paraná, PR, Brasil. 3. Universidade Federal do Paraná, PR, Brasil.

ABSTRACT: Exploratory descriptive research objectifying: know how nursing undergraduates experience care in the spiritual dimension. Ten students participated and data were collected through a semi-structured interview and organized in the following categories. The study aimed to reflect upon nursing education towards the related contents of spiritual care in nursing practice. Apprehending how their beliefs have supported them to care in the spiritual realm. They reported the difficulties in apprehending a person’s spiritual dimension but they acknowledge its significance in caring. Unknowing the subject makes them insecure to deliver such caring.

 Keywords: Nursing; Care; Spiritual dimension; Undergraduate; Human Being.

 Resumo: Pesquisa exploratória descritiva, com o objetivo: conhecer como o estudante da graduação em enfermagem vivencia o cuidado na dimensão espiritual. Participaram dez estudantes de último ano de graduação. Obteve-se os dados com entrevista semi-estruturada e os mesmos foram organizados em categorias temáticas. Os estudantes reconheceram que possuem dificuldades para cuidar do paciente considerando os aspectos da dimensão espiritual e que suas crenças os apóiam para prestar cuidados expressivos. O desconhecimento do assunto dificulta para que se sintam seguros em realizar cuidado na dimensão espiritual. O estudo ensejou refletir sobre a importância da abordagem dos conhecimentos relativos a dimensão espiritual do ser humano na graduação e na prática do enfermeiro.  

Palavras-Chave: Enfermagem; Cuidado; Dimensão espiritual; Estudante; Ser humano.      

 INTRODUÇÃO 

O cuidado de enfermagem enseja a obtenção de alívio do sofrimento humano, manutenção da dignidade, auxilio na resolução e enfrentamento de crises e na experiência do viver ou morrer. Conquanto, também pode ser traduzido em atitudes profissionais de integridade, espiritualidade, sensibilidade, visão ecológica e, ainda, como parte da ética humana, pois todos os relacionamentos, comportamentos, envolvem uma ética que os qualifica como certos ou errados. Assim, a responsabilidade precípua do cuidador deve ser a de cuidar do ser humano de modo a promover a realização de suas necessidades integralmente, porquanto, o cuidar deve contemplar as dimensões do corpo, da mente e do espírito para promover a totalidade humana1-3.

O cuidado de enfermagem efetivo é aquele realizado de modo a contemplar a múltipla dimensionalidade do ser humano, o físico, o psicológico e o espiritual, sendo que é por esta última dimensão que a pessoa expressa os valores que dão sentido à sua vida e das significações que para além dela geram esperança. A dimensão espiritual é parte da totalidade do ser humano, porém ele tende a mobilizá-la e a expressá-la de forma mais intensa quando experimenta situações de crise1,3.

       Ao considerarmos o ser humano, em sua multidimensionalidade, as ações de cuidado instrumentais ou técnicas devem se entrelaçar com as de cuidado expressivas, aquelas relacionadas com a sua subjetividade. Ao captá-la pelo olhar, pela palavra, pelo que é expresso nas diferentes formas de linguagens, pela expressão do corpo é que podemos conhecer melhor o outro2.

       Quando a vida humana atinge situações que extrapolam ao que a pessoa considera possível de manter o controle ou contorná-las, ela tende a recorrer a outros recursos que lhe conferem sentidos para se manter o mais conectado possível com o mundo que a rodeia, para obter tranqüilidade, esperança, conforto e melhor perspectiva de vida. Estes recursos estão relacionados à fé e à esperança, à sua espiritualidade, elemento inato do ser humano, que contribui para o equilíbrio da saúde, visto que a necessidade de cuidado na dimensão espiritual se apresenta mais intensamente em face da dor, do sofrimento e da morte3-5.

          A dimensão espiritual é manifestada pelas expressões de crenças, valores, atitudes, sentimentos, e se constitui uma perspectiva de recursos internos que o ser humano possui e que mobiliza quando necessita enfrentar situações de crise3-6. Desta forma, cuidar do ser humano em sua multidimensionalidade requer que o enfermeiro não restrinja o cuidado à dimensão psicofísica, mas o amplie incluindo a dimensão espiritual. Assim, é necessário acolher a manifestação de questionamentos existenciais relativos à religiosidade, existência de Deus, fé, destino, transcendência, significado do sofrimento, da dor e da morte, sentimentos comumente expressados pela pessoa ao perceber sua vida ameaçada6.

       Desta forma considera-se relevante conhecer como o estudante de Graduação em Enfermagem é estimulado a reconhecer de que modo as expressões da dimensão espiritual se manifestam e a prestar cuidado desde o início de sua formação, nas aulas práticas e estágios. Porquanto, nesse agir irá transcender o fazer técnico conjugando-o com as ações expressivas do cuidar e dessa forma, apoiando, acolhendo e confortando àqueles que cuidam no enfrentamento de situações advindas do convívio com a doença e das experiências de sofrimento4.   Assim, o objetivo foi desta pesquisa foi conhecer como o estudante da Graduação em Enfermagem vivencia o cuidado na dimensão espiritual. 

METODOLOGIA  

          Pesquisa de natureza exploratória e descritiva, realizada em um curso de graduação em Enfermagem de Curitiba-Paraná. O objetivo principal das pesquisas exploratórias e descritivas é procurar descrever com exatidão as características, os fatos e os fenômenos de determinada realidade, população ou fenômeno. Essas exigem do pesquisador uma série de informações sobre o que se deseja pesquisar, como por exemplo, a população, a amostra, os objetivos do estudo, os pressupostos e as questões da pesquisa7.

       Os sujeitos dessa pesquisa foram dez estudantes, nove do gênero feminino e um do masculino, com idade entre 22 e 26 anos, matriculados no décimo período do curso de Graduação em Enfermagem de uma Universidade pública do Paraná. A delimitação do número dos sujeitos aconteceu quando o pesquisador observou saturação dos dados informados, porquanto a saturação ocorre, quando se considera que o número pesquisado é suficiente para gerar informações reincidentes8.

     O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Setor de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Paraná sob o registro CEP/SD: 02-0254 SI (029) 064-06-06 08 FR:103134, CAAE 0034.0.910.000-0.  Os sujeitos receberam os esclarecimentos a respeito das etapas da pesquisa, ressaltando que lhes era facultada a participação, mediante a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido9.

     Os dados foram obtidos mediante entrevista semi-estruturada cujo instrumento continha uma questão a respeito de como o aluno vivenciou o cuidado de enfermagem na dimensão espiritual durante a graduação. A entrevista constitui estratégia que enseja flexibilidade de expressão do entrevistado e, embora possa trabalhar com um conjunto de questões/ e ou tópicos orientados e organizados previamente, permite e até encoraja a pessoa a abordar de forma livre, os assuntos que vão surgindo com o desdobramento do tema principal7-8.

       A análise dos dados ocorreu segundo Minayo8 como os seguintes passos: 1- A ordenação de todos os dados – Ao término de cada entrevista procede-se às suas transcrições e após, a releitura das informações obtidas. 2 - A classificação dos dados - De posse de todas as entrevistas transcritas procurou-se agrupar as falas em temas e sub-temas por aproximação. 3 - A análise final - Nessa fase foram organizadas as categorias buscando identificar os temas emergentes das entrevistas que representavam a vivência e a percepção do estudante de graduação no cuidado de enfermagem na dimensão espiritual do ser humano.  

APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS DADOS 

          Neste tópico são descritas as categorias temáticas resultantes das entrevistas com os estudantes: A necessidade de cuidado na dimensão espiritual expressada pelo paciente. O conhecimento da dimensão espiritual é indispensável para a prática da enfermagem. A importância de cuidar com enfoque na dimensão espiritual.  

A necessidade de cuidado na dimensão espiritual expressada pelo paciente 

         A vivência do estudante de graduação, no cuidado de enfermagem na dimensão espiritual do ser humano, ocorreu em aulas práticas, nos estágios curriculares e nos de caráter voluntário. Nessas situações eles se depararam com a necessidade de oferecer cuidado na dimensão espiritual, necessidade essa externada pelos pacientes no enfrentamento de situações de dor, de sofrimento, de doenças, de perdas e de morte, conforme exemplificado com relatos a seguir.  

A gente já teve experiência, principalmente com crianças em estágio no hospital pediátrico que no momento de algum procedimento você toca a criança, segura sua mão, faz algo diferente. Eu acho que isso é cuidar considerando a dimensão espiritual do se humano (D1).

 

Ouvia o paciente, mas não falava de religião, falava em Deus [...] mesmo que ele tivesse a minha religião [...] não falava... (D2).

 

Na hora que o paciente chorava eu não sabia muito bem o que fazer, mas eu dizia: chora que é bom, acho coisa que ajuda neste momento é chorar. Foi dessa forma que eu cuidei da dimensão espiritual do paciente (D3).

 

Eu cuidei de um paciente que estava muito triste. Ele nunca tinha ficado doente. Ele perguntou a minha religião; eu disse que era católica. Ele me pediu tanto para rezar por ele que eu rezei (D7).

 

Uma paciente que estava na UTI revoltada, pois sua doença era grave; ela se queixava e reclamava perguntando por que isso acontecia com ela. Então a enfermeira e eu fomos conversar com ela para tentar confortá-la (D8). 

        

          O ser humano se expressa espiritualmente por meio da capacidade primordial e específica de estar junto a e existir junto a. Dessa forma, ele atinge a essência da dimensão espiritual, ou seja, da realidade espiritual caracterizada como a intencionalidade desta dimensão, pois o ser humano é intencional no âmago da sua essência. Em virtude disso é primordial para o ser humano estar voltado para algo ou alguém, pois é essa a maneira de encontrar-se consigo mesmo10.

          Ao se relacionarem com os pacientes os estudantes sentiam-se envolvidos com o ato de cuidar na dimensão espiritual, pois percebiam a importância de estar com eles nos momentos difíceis em que enfrentavam dor, doença e mesmo a morte. Essa condição de estar junto a, a que se refere, resulta de uma forma mais ampla em estar entregue um ao outro ou mais especificamente, em amar o outro10.

          O amor é uma realidade existencial caracterizada pela capacidade que o ser humano tem de compreender o outro em sua essência, da forma como é, com suas singularidades, seus atributos pessoais, seus valores. O ser humano não existe para observar-se a si mesmo, nem para olhar-se no espelho; existe somente para entregar-se, para sacrificar-se e para abandonar-se conhecendo e amando10. Esta idéia pode comunicar ausência de liberdade do ser humano para assumir suas escolhas, pois estaria ele fadado ao sacrifício e ao abandono dentro de sua realidade existencial. No entanto isso não acontece, pois o sentido da liberdade não é da liberdade de e sim, da liberdade para, caracterizando a opção que o homem tem de assumir uma posição tanto no campo social como no psicológico6.

          Assumir posição para o ser humano livre significa que ele tem liberdade de escolha para transformar-se em algo ou alguém diferente e a possibilidade de transformar qualquer ação. A existência humana se basta para explicar a liberdade, como uma alternativa de escolha. Mesmo antes de experimentarem a prática como profissional, os estudantes se posicionaram no sentido de escolher a liberdade de cuidar do ser humano em sua integralidade, independentemente do desgaste emocional decorrente das ações que envolvem o cuidado de enfermagem. A responsabilidade do ser humano está ligada à capacidade de transcender que nossa consciência possui para avaliar qualquer escolha como correta ou não. Dessa forma, é possível encontrar um sentido único e exclusivo em cada situação, além de permitir encontrar sentido tanto na realidade como, nas mais diversas possibilidades que a vida nos oferece6. 

O conhecimento da dimensão espiritual para a prática da enfermagem 

         Alguns estudantes relataram que não se sentiam preparados para prestar cuidado na dimensão espiritual do paciente e que o convívio com as situações de perdas e sofrimentos, inerentes à enfermagem lhes causavam insegurança e até sentimentos de frustração. Revelaram que a insegurança que sentiam era devida ao pouco preparo acadêmico para oferecer cuidado nessa dimensão, uma vez que o conhecimento adquirido durante a formação auxiliou no desenvolvimento de diversificadas competências e habilidades, mas não especificamente no cuidado aos aspectos subjetivos, expressivos, à espiritualidade.

          Os estudantes consideram que a apropriação desse conhecimento é indispensável para o saber fazer da enfermagem e que confere segurança à sua prática profissional. Para prestar cuidado na dimensão espiritual, eles externaram que são requeridas habilidades que envolvem comunicação, pensamento crítico, relacionamento interpessoal, observação e conhecimento da dimensão espiritual do ser humano. Nos seus relatos é possível perceber que, a pouca confiança pessoal, ansiedade e frustração advém do desconhecimento do tema e isso causou intranqüilidade em apoiar e confortar o paciente, conforme se observa nos relatos a seguir.  

Eu não tinha no momento um suporte para cuidar na dimensão espiritual; eu me preocupava em não abordar o paciente de maneira inadequada. Talvez a falta de conhecimento fosse um fator de impedimento para abordar o paciente nessa dimensão, porque esse assunto não é abordado na graduação (D6).

 

É fundamental que durante a graduação tenha pessoa preparada para vir falar de um tema deste na universidade. Uma pessoa que venha falar de espiritualidade, pois seria muito importante discutir isso na faculdade (D4).

 

Seria importante que no currículo da faculdade houvesse algum preparo para a gente não ficar frio diante de uma situação como a morte do paciente, porque isso é horrível, é um horror (D3).

 

Devia ter uma aula de ensino religioso, porque a gente se depara com diferentes valores, cada um tem o seu e você precisa saber respeitar e entender um pouco de cada valor; a gente não sabe o que falar na hora para o paciente (D3).

 

          A formação universitária possui missão e função específicas que podem ser entendidas mediante a conservação dos conhecimentos acumulados por meio dos séculos. A herança de valores culturais, científicos e de idéias deve ser salvaguardada para a preparação do futuro. Nesse sentido, a universidade tem uma posição conservadora, regeneradora e geradora. A academia deve ter compromisso de adaptar-se à modernidade científica e ao mesmo tempo fazer parte dela, ou seja, corresponder às necessidades básicas da formação, mas acima de tudo, gerar conhecimento metaprofissional e metatécnico, portanto uma nova cultura3,11.

       Para desenvolver competência no cuidar considerando os aspectos da dimensão  espiritual do ser humano, é importante que o profissional tenha vivenciado essa experiência em sua vida pessoal e que ela não seja fruto somente da formação acadêmica, pois o êxito nessa prática colaborará para que se sinta confiante e disposto a exercitá-lo. É indispensável que o estudante durante o período de formação, receba além do conhecimento científico para oferecer esse cuidado, encorajamento para exercitar essa atividade, tanto em relação à pessoa como no desenvolvimento do autocuidado espiritual, uma vez que o paciente é o agente do cuidado de enfermagem e ele vivencia as experiências do corpo, da mente e do espírito3-4.

         Visando enriquecer o preparo acadêmico e colaborando na construção de ações positivas no comportamento, é importante que o docente propicie a expressão da subjetividade de cada estudante. Deverá, para tanto, alimentá-los com sentimentos de apreço, solidariedade, encorajamento, confiança, segurança e apoio espiritual, pois ao ser despertada a potencialidade e a valorização pessoal de cada um, estará também, sendo fortalecido o crescimento da relação de ajuda entre o profissional e o paciente. Deste modo, o professor poderá auxiliar o estudante indicando maneiras de se fortalecer psicologicamente e também de interagir com o paciente de forma a evitar uma atitude de isolamento, pois a incompreensão do outro é intensificada com atitudes individualizadas3-4. 

A importância de cuidar com enfoque na dimensão espiritual  

          Ao expressar sua vivência no cuidado de enfermagem na dimensão espiritual do ser humano, o estudante de graduação ressaltou a relevância desse cuidado, ainda que reconheça não possuir os instrumentos necessários para desenvolvê-lo adequadamente. Enfocaram que percebem que os profissionais de enfermagem, de modo geral, não o aplicam de forma sistematizada, conforme se observa nos depoimentos a seguir. 

Com certeza o cuidar com enfoque na dimensão espiritual faz a diferença, até pela maneira como você aborda o paciente, pois a espiritualidade de cada um vai ser refletida nas ações, na maneira de viver e de encarar a vida (D1).

 

A abordagem do paciente em sua dimensão espiritual é algo que quase não se comenta e que muitos profissionais de enfermagem preferem deixar de lado. É uma experiência que a maioria já passou e já percebeu essa necessidade tanto em si quanto nos próprios pacientes (D2).

 

Por meio do cuidado na dimensão espiritual é possível confortar o paciente além do conforto físico. É também dar uma palavra de apoio, dar esperança... acolher seu sofrimento (D6).

 

Muitas vezes a gente se limita a fazer o exame físico do paciente, a prescrição de enfermagem, e não se dá conta da real necessidade dele, a necessidade espiritual que é muito importante (D8).

 

Quando a gente cuida da parte espiritual é possível ver a expressão de alívio do paciente, porque eles vão se abrindo e contando seus problemas e situações. Você vê que alguns saem desabafados, e eu acho que eles desenvolvem uma confiança maior na gente (D10). 

          A abordagem do cuidado na dimensão espiritual ainda carece ser efetivamente utilizada no ensino de enfermagem. A deficiência na sua inserção talvez se deva ao fato de que a importância das expressões da subjetividade do ser humano ainda não seja compreendida de modo efetivo pela maioria dos enfermeiros como inerentes ao processo de ensino e do cuidar. Neste sentido, ressalta-se que é importante o estudante estar preparado para conviver com as incertezas próprias da vida, pois de forma sistemática o processo pedagógico tem ensinado as certezas e não as incertezas. Ensinar o incerto é ensinar para a vida, pois essa realidade participa de forma marcante na prática do profissional de enfermagem. Será valioso, portanto, para o estudante, que o ensino esteja voltado para a contextualização do cuidado nas suas múltiplas dimensões, pois contextualizar é de importância fundamental para o espírito humano11-12.

          Ensinar de forma contextualizada permitirá que o cuidado com enfoque na dimensão espiritual seja conectado a valores, princípios e crenças próprios da dimensão espiritual do ser humano que orientam a existência da pessoa, pois ela envolve todos os aspectos do viver humano. As condições que envolvem o bem-estar do homem estão ligadas às relações interpessoais, tradições, produções artísticas e ao trabalho3,11-12.

            Alguns cursos no Brasil incluem em seus conteúdos o tema cuidados expressivos que o enfermeiro deve desenvolver nas ações que envolvem a espiritualidade do ser humano. Contudo, em sua maioria, o enfoque é no cuidado religioso e não na dimensão espiritual e muitas vezes, os temas que envolvem as necessidades espirituais do ser humano são apresentados como estudos de preceitos religiosos, dogmáticos que não enfatizam a importância dos aspectos existenciais e vivenciais3-4. Entretanto, destaca-se que as diretrizes curriculares para o ensino de graduação em enfermagem no artigo 5º parágrafo I é ressaltado que o enfermeiro deve ter competências e habilidades para, ao atuar como profissional, fazer uso de seus conhecimentos para compreender todas as dimensões da natureza humana, tanto quanto suas expressões12. 

CONCLUSÃO  

          Este estudo ensejou refletir a respeito do papel da formação da graduação de enfermagem na produção de amplos conhecimentos, incluindo aqueles que fundamentem o cuidado na dimensão espiritual do ser humano, pois esse se faz presente na prática do enfermeiro. Ainda, que os futuros profissionais sejam sensibilizados da necessidade de se preparar para que sua prática além de contemplar o cuidado na dimensão espiritual do ser humano, este também seja extensivo aos familiares e à equipe.

          Foi importante conhecer como as crenças dos estudantes as apoiaram ou não nesses enfrentamentos; se eles sentiam-se preparados para oferecer o cuidado na dimensão espiritual do ser humano e outras situações envolvendo os mitos concernentes à doença, as experiências decorrentes da vivência em oferecer o cuidado espiritual. Também, expressaram a responsabilidade que sentiam em cuidar do doente e de responder aos anseios que envolviam essa relação. Dessa forma, foi importante conhecer a realidade que os estudantes do curso de Graduação em Enfermagem, ao realizarem o cuidado, vivenciaram ao buscar satisfazer as necessidades na dimensão espiritual da pessoa que recebe cuidado.

          Os estudantes expressaram suas expectativas em relação à experiência vivida, bem como dos aspectos que dificultaram e facilitaram realizar o cuidado de enfermagem que envolve o conforto espiritual do paciente. Ao relatarem suas vivências do cuidado de enfermagem na dimensão espiritual, apontaram a necessidade de apropriação de conhecimentos dessa temática a fim de que obtenha sustentação científica e sintam-se seguros no desenvolvimento das ações de cuidar. Porquanto, é preciso que o profissional desenvolva a sensibilidade para captar as necessidades expressivas do ser humano, assim como entender a busca pela transcendência da dimensão física e da psicológica nos processos de doença, de sofrimento, de dor e de morte, sempre respeitando sua crença ou religião.

          Os estudantes apresentaram dificuldade em cuidar considerando os aspectos da dimensão espiritual do ser humano. Essa dificuldade decorre do desconhecimento do assunto que colabora, para que se sintam inseguros em oferecer cuidado nessa dimensão. Assim, fica explícito a necessidade de avançar na construção de caminhos que tornem mais claros, aos futuros profissionais, os significados, implicações e subjetividades contidas no cuidado de enfermagem na dimensão espiritual do ser humano.  

REFERÊNCIAS 

1. Boff L. Saber cuidar: a ética do humano-compaixão pela terra. Petrópolis: Vozes; 1999. 

2. Waldow VR. O cuidado na saúde: as relações entre o eu, o outro e o cosmo. Petrópolis: Vozes; 2004. 

3. Souza JR, Maftum MA, Bais DDH. Nursing care facing the recognition of patients’ belief or religion: undergraduates’ perceptions. Online Brazilian Journal of Nursing [on-line]. 2008; 7 (2) [access on 2009 feb 20. Available form: http://www.uff.br/objnursing/index.php/nursing/article/view/j.1676-4285.2008.1525/375 

4. Souza JR. A dimensão espiritual no cuidado de enfermagem: vivência do estudante de graduação [dissertação]. Curitiba (PR): Universidade Federal do Paraná; 2006. 

5. Carvalho LS, Silva CA, Santos ACPO, Oliveira MA, Portela SC, Regebe CMC. Perception of the death and dying of the nursing students. A qualitative study. Estudo qualitative. Online Brazilian Journal of Nursing [on-line]. 2006; 5 (3) [access on 2009 feb 20]. Available form: http://www.uff.br/objnursing/index.php/nursing/article/view/507/116 

6. Huf, DD. A Assistência espiritual em enfermagem na dimensão noética à luz da análise existencial de Viktor Frankl [tese]. Ribeirão Preto (SP): Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo; 1999.  

7. Trivinos ANS. Tratado da metodologia da pesquisa clínico-qualitativa: construção teórico-epistemológica, discussão comparada e aplicação nas áreas da saúde e humanas. Petrópolis: Vozes; 2003. 

8. Minayo MCS. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 8ª ed. São Paulo: Hucitec; 2004. 

9. Ministério da Saúde (BR). Conselho Nacional de Saúde.  Diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisa em seres humanos. Resolução 196, de 10 de outubro de 1996. Brasília, 1996. 

10. Frankl VE. Logoterapia y análisis existencial. Barcelona: Herder; 1994. 

11. Morin E. Os sete saberes necessário à educação do futuro. São Paulo: Cortez; 2004. 

12. Ministério da Educação (BR). Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CES n.3, de 7 de novembro de 2001. Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem. Disponível em http://portal.mec.gov.br/cne/index.php?option=content&task=view&id=393&Itemid=441. Acesso em 15 dez 2008.

 

Contribuição dos autores: Concepção e desenho: Janei Rabello de Souza, Mariluci Alves Maftum – Análise e interpretação: Janei Rabello de Souza, Mariluci Alves Maftum- Escrita do artigo: Janei Rabello de Souza, Mariluci Alves Maftum – Revisão Crítica do artigo: Janei Rabello de Souza, Mariluci Alves Maftum, Verônica de Azevedo Mazza – Aprovação final do artigo: Janei Rabello de Souza, Mariluci Alves Maftum, Verônica de Azevedo Mazza – Colheita dos dados: Janei Rabello de Souza – Provisão de materiais e recursos: Janei Rabello de Souza - Pesquisa bibliográfica: Janei Rabello de Souza.  

Endereço para correspondência: Mariluci Alves Maftum – Rua João Clemente Tesseroli, 90 – Curitiba – Paraná – Cep. 81520-190. 

Nota: Artigo a partir da dissertação “A dimensão espiritual no cuidado de enfermagem: vivência do estudante de graduação”. Universidade Federal do Paraná-UFPR. Data de defesa:21/12/2006.

 





 

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