Online Brazilian Journal of Nursing, Vol 9, No 1 (2010)

Online braz j nurs

Birth and newborn care: a path to humanization? - Qualitative research

Assistência ao recém-nascido no nascimento: a caminho da humanização? - Pesquisa qualitativa

Cuidados del recién nacido durante el nacimiento: ¿un camino hacia la humanización?- Investigación cualitativo

Priscilla Shirley Siniak dos Anjos Modes1, Maria Aparecida Munhoz Gaíva2, Laura Fabiane de Oliveira Patricio3

1Mestranda da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, MT - Brasil. Membro do Grupo de Pesquisa Argos da UFMT. E-mail: priscilladosanjos@yahoo.com.br; 2Professora Doutora da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, MT - Brasil. Coordenadora do Grupo de Pesquisa Argos e Pesquisadora do CNPq. E-mail: mamgaiva@yahoo.com.br; 3Enfermeira. E-mail: laura-fabiane@hotmail.com

Abstract: This study was based on the government policies for humanization of childbirth in our Country in recent years. The main objective was to analyze the care provided to newborns at the moment of birth in Cuiabá, Mato Grosso. This is a descriptive qualitative study conducted at four institutions that offer newborn care. Data collection was performed using systematic observation, applying a script analysis guide and a field journal for recording observations. The data was analyzed using the principles of thematic analysis, and four categories emerged: early contact mother / child / family at the moment of birth; encouragement of early breastfeeding; the newborn care at birth and the relationship of the health team with mother / child / family. The humanization of birth, defined in government policies, is not a reality in most of these institutions. Therefore, we conclude that there is an urgent need to invest in awareness programs and in training programs for professionals involved in care during childbirth.

Keywords: Humanization of assistance, newborn, parturition, quality of health care.

Resumo: O presente estudo baseou-se nas proposições políticas de humanização do parto e nascimento em nosso país nos últimos anos. Teve por objetivo analisar a assistência prestada ao recém-nascido no momento do nascimento em Cuiabá, Mato Grosso. Trata-se de pesquisa qualitativa descritiva realizada em quatro instituições que prestam assistência ao recém-nascido. A coleta dos dados foi realizada através da observação sistemática, utilizando um roteiro norteador e diário de campo para o registro. Os dados foram analisados utilizando os princípios da análise temática e emergiram quatro categorias: o contato precoce mãe/filho/família no nascimento; o estímulo ao aleitamento materno precoce; os cuidados com o recém-nascido no nascimento e as relações da equipe de saúde com mãe/filho/família. A humanização do nascimento, definida nas políticas governamentais, não está presente na maioria das instituições estudadas. Conclui-se, portanto, haver necessidade de investimentos em programas de sensibilização e capacitação para os profissionais envolvidos na atenção ao nascimento.

Palavras-chave: Humanização da assistência; recém-nascido; parto; qualidade da assistência à saúde.

 

Resumen: El presente estúdio se basó en las propuestas políticas de humanización Del parto en nuestro país en los últimos años. Tuvo como objetivo analizar la atención prestada a los recién nacidos al momento de nacer, en Cuiabá, Mato Grosso. Esta es una investigación de tipo cualitativo, descriptivo, realizado en cuatro instituciones que brindan atención al recién nacido. La recopilación de datos se realizó mediante la observación sistemática, empleando una guía de análisis y un diario de campo para el registro de la información obtenida. Los datos fueron analizados utilizando los principios del análisis temático y emergieron cuatro categorías: el contacto precoz madre / hijo / familia durante el nacimiento; estimulación temprana de la lactancia materna; el cuidado del recién nacido al momento de nacer y la relación del equipo de salud con madre / hijo / familia. La humanización del nacimiento, definida en las políticas gubernamentales, está ausente en la mayoría de estas instituciones estudiadas. Por lo tanto, se concluyó que existe la imperiosa necesidad de invertir en programas de sensibilización y formación para los profesionales involucrados en el cuidado brindado durante el nacimiento.

Palabras clave: Humanización de la Atención, recién nacido, parto, calidad de la atención de Salud. 
 

INTRODUÇÃO

Durante muitos séculos o parto/nascimento ocorreu no contexto familiar, com o apoio e trocas de experiências de familiares e mulheres que já tinham vivenciado esse evento. As mulheres eram consideradas capazes de “parir” sem a necessidade de intervenção das parteiras. A família participava ativamente deste momento e, em algumas situações, o pai era quem segurava o filho ao nascer. Porém, a partir do século XIX com os avanços da ciência, o parto e o nascimento assumiram novo papel, passando de evento familiar para um acontecimento hospitalar, o que implicou na adequação da família às rotinas impostas pelas instituições hospitalares e a tomada de decisão neste processo deixa de pertencer à mulher/família e passa a pertencer ao médico1, 2 .

A partir daí, as maternidades se tornaram instituições empresariais que têm verdadeiro poder de decisão e imposição sobre a vida das mulheres e famílias, controlando como e em que momento será o parto, quando e quem pode ter contato com mãe-filho e como deve ser o comportamento das pessoas envolvidas. Além do mais, o ambiente das instituições é estruturado de forma que a organização, o funcionamento e a área física atendam às necessidades dos profissionais envolvidos, ao invés da clientela. Existe ainda uma disciplina rígida às normas institucionais, as rotinas não se encontram voltadas à individualidade e subjetividade de cada parturiente e o ambiente não lembra em nada a chegada de um bebê3.

Buscando reintegrar a mulher/família como protagonistas do parto, o Ministério da Saúde vem propondo nas últimas décadas, políticas e diretrizes técnicas voltadas à humanização da assistência ao parto e nascimento. Assim, lança, em 2002, o Programa de Humanização da Assistência Pré-Natal e Nascimento (PHPN), e em 2002 a Norma de Atenção humanizada ao recém-nascido de baixo peso-Método Mãe Canguru. Estas políticas objetivam a desmedicalização do corpo da mulher e do ato de parir, melhorando assim, a qualidade da atenção oferecida no processo do parto e nascimento4,5.

Assim é imprescindível que ocorram mudanças no modelo assistencial, de essencialmente técnico, para um que valorize os aspectos sociais e culturais da gestação e parto, para que mulheres/famílias brasileiras tenham a experiência de um parto verdadeiramente humanizado6 e que ao mesmo tempo, promova situações que inibam o mal-estar da mulher e também reduza riscos para ela e para o bebê, uma vez que o uso irracional das intervenções provoca mais prejuízos que benefícios ao binômio mãe-filho7.

Considerando todo o contexto de mudanças na assistência à mulher e ao recém-nascido no parto e nascimento, nas últimas décadas no país, este trabalho tem como objetivo analisar a assistência prestada ao recém-nascido no momento do nascimento, em maternidades de Cuiabá, Mato Grosso (MT), tomando por referência as atuais políticas de humanização da atenção ao processo de parto/nascimento.

Com os avanços tecnológicos e científicos na área da saúde e a medicalização do corpo da mulher, o parto/nascimento, de evento familiar transformou-se em evento hospitalar, controlado por meios tecnológicos e cirúrgicos, com o objetivo de controlar as complicações e situações de risco para o binômio mãe-filho.

Todos estes fatores favoreceram a redução das taxas de mortalidade materna e neonatal, porém a família foi progressivamente afastada do processo de nascimento. O modelo medicalizado considera o parto um evento patológico, e isto resulta na desvalorização dos aspectos emocionais e sociais envolvidos na atenção a esse momento4,8.

No nascimento hospitalar é dada muita ênfase aos aspectos biomédicos e técnicos e o recém-nascido é tomado muitas vezes por intervenções desnecessárias e torna-se “propriedade” da equipe. O momento do nascimento é visto como algo pertencente à equipe e não a mãe e seu filho.  O contato precoce entre mãe e filho recomendado como estratégia para favorecer o estabelecimento do vínculo ainda não faz parte da rotina da maioria das salas de parto em nossa realidade.

Humanizar a assistência ao recém-nascido implica mudanças de atitudes e de rotinas que tornem o nascimento o menos medicalizado possível, utilizando práticas assistenciais que garantam a integridade física e psíquica deste ser frágil e requerente de cuidados, levando em consideração o processo de mudanças na busca da homeostasia na vida extra-uterina.

Esta situação implica potencializar as relações humanizadas em que o afeto e as intervenções realmente necessárias a cada recém-nascido aconteçam. Assim os profissionais que assistem o recém-nascido/família devem buscar maneiras de conhecer o outro a fim de tornar o nascimento um evento familiar, incorporando práticas que tornam o recém-nascido/família os principais seres envolvidos no momento do parto/nascimento.

Apesar das várias proposições políticas voltadas à humanização do parto e nascimento, implementadas ao longo da última década, a assistência ao parto e nascimento em muitas maternidades brasileiras, ainda esta distante de uma atenção segura, de qualidade e humanizada, na perspectiva dos direitos da cidadania das mulheres, recém-nascidos e sua família.

MÉTODO

Trata-se de um estudo de caráter qualitativo descritivo, que tem como objetivo primordial a descrição das características de determinado fenômeno, servindo para proporcionar nova visão do problema9.

Fizeram parte da pesquisa uma instituição pública, duas privadas conveniadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) e uma instituição privada, escolhidas por realizarem a maioria dos partos em Cuiabá/MT. Dentre elas, uma é considerada referência para atenção ao parto de baixo risco, outra para partos de alto risco e duas são hospitais universitários.

Os dados foram coletados através de observação sistemática, por permitir a descrição precisa das práticas assistenciais voltadas ao recém-nascido no momento do nascimento, além de possibilitar  uma explicação para a realidade e as relações entre os fenômenos que a compõem10.

A coleta de dados teve como instrumento norteador um roteiro com dados a serem observados pelo pesquisador, tomando por base os princípios da humanização da assistência ao recém-nascido e ao parto, preconizados pelo Ministério da Saúde e pela literatura atual. O roteiro foi organizado em três partes: a primeira com aspectos ligados à estrutura física das salas de parto e de recepção do recém-nascido, equipamentos e materiais; a segunda enfocando as relações entre a equipe e a parturiente, equipe e recém-nascido e a terceira voltada para assistência prestada ao recém-nascido no momento do nascimento. Neste artigo abordaremos somente os aspectos das relações e da assistência prestada ao recém-nascido.

Os dados foram coletados após a apresentação dos objetivos da pesquisa aos profissionais envolvidos na atenção ao parto e anuência destes, referendada pela assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. O processo de observação foi efetivado na sala de parto e sala de recepção do recém-nascido, no período de abril a junho de 2009 nos diferentes turnos de trabalho; sendo aplicado o critério de exaustão dos dados11. A observação foi realizada por duas pesquisadoras em momentos diferentes, e os relatos e as percepções foram registradas em um diário de campo e posteriormente transcritas. Os dados obtidos com a transcrição das observações foram analisados segundo as etapas da análise temática11 e, após a construção dos núcleos de sentidos, procedeu-se à interpretação dos mesmos.

Esta pesquisa cumpriu as normas éticas estabelecidas pela Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde/MS12, sendo aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM), parecer nº. 627/CEP-HUJM/2009.  

APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS 

Após a análise das observações, emergiram quatro temáticas: o contato precoce mãe-filho e família no nascimento; o estímulo ao aleitamento materno precoce: uma realidade ainda distante; cuidados com o recém-nascido no nascimento; relações da equipe de saúde com mãe-filho-família.

A observação permitiu captar que a assistência ao nascimento nos hospitais estudados, está centrada prioritariamente, na execução de procedimentos e medicalização do ato de nascer, e que ações de humanização ao nascimento dependem da visão que os profissionais possuem acerca da humanização13. Vale destacar que nenhuma das instituições estudadas tem implementado o modelo assistencial humanista para atenção ao parto, considerando os princípios gerais do Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento em que: toda gestante tem direito ao acesso a atendimento digno e de qualidade no decorrer da gestação, parto e puerpério; toda gestante tem direito de conhecer e ter assegurado o acesso à maternidade em que será atendida no momento do parto; toda gestante tem direito à assistência ao parto e ao puerpério e que esta seja realizada de forma humanizada e segura, de acordo com os princípios gerais e condições estabelecidas pelo conhecimento médico; e todo recém-nascido tem direito à assistência neonatal de forma humanizada e segura14 

O CONTATO PRECOCE MÃE-FILHO-FAMÍLIA NO NASCIMENTO

O contato precoce mãe-filho foi prejudicado, independentemente do tipo de parto realizado, e ocorreu depois que o recém-nascido recebeu os primeiros cuidados, mostrando que a rotina institucional e os procedimentos técnicos ainda são os principais focos da assistência no processo de nascimento: 

“Lá vem o bebê”, diz o obstetra e segura o recém-nascido para o pai tirar uma foto. Em seguida o pediatra pega o bebê e leva-o para a sala de recepção, sem mostrá-lo à sua mãe (Relato de observação, 16/04/09). 

O contato precoce mãe-filho na sala de parto contribui para a formação do apego, pois no pós-parto imediato, o recém-nascido encontra-se no período compreendido como inatividade alerta, primeiros 30 a 60 minutos após o nascimento, momento em que o recém-nascido responde aos estímulos externos, vê, ouve e move-se de acordo com a escuta da voz materna. Além do mais, apresenta habilidades sensoriais e motoras capazes de estimular canais de comunicação com os pais que são importantes no estabelecimento do vínculo15.

Esta fase de inatividade alerta é percussora e potencializadora da sensibilização da mãe/pai pelo filho. Assim, a execução de procedimentos e manipulações por parte da equipe de saúde, que poderiam ser realizadas após o contato ou no alojamento conjunto, prejudicam o estabelecimento precoce do vínculo, ou da conscientização da existência do outro, que até então era percebido apenas pelos movimentos fetais15,16.

 Os sentimentos dos pais pelos filhos iniciam ou aumentam depois do contato íntimo, privado e precoce que pode ser ainda na sala de parto, pois para a formação do vínculo pais-filhos é necessário estabelecer um contato com os “primeiros cuidadores” (mãe e pai) e o ambiente que o cerca, a fim de tornar a adaptação o menos traumática possível16, 17,18.

Em estudo realizado com puérperas, objetivando compreender como o momento do parto foi percebido pelas mães  e de que maneira as ações dos profissionais contribuíram para facilitar sua aproximação ao recém-nascido, reforçou a importância de favorecer o contato precoce entre mãe e filho,  demonstrando que essas mulheres se sentem realizadas e em condição de oferecer amor e aconchego aos filhos16.

Após o nascimento o bebê foi levado diretamente para a sala de recepção, e após dez minutos a interna de pediatria levou-o para a mãe vê-lo. A mãe o recebeu dizendo: “Oi, bebê! Ela é linda!” O contato mãe e filha durou um minuto (Relato de observação, 20/05/09). 

O fato de os pais tentarem confortar/conversar com seu filho permite em questão de segundos que milhares de células no cérebro se proliferem, se desorganizem e reorganizem-se pelo estímulo destas experiências particulares, ajudando a resguardar o bebê do estresse sofrido por manipulações imediatas ao nascimento18.

Fica evidente nos relatos de observação que a possibilidade de um contato precoce entre mãe e filho depende de quem assiste à parturiente e ao recém-nascido, pois muitas foram as situações em que este contato não ocorreu, e nas circunstâncias em que foi possível, este ocorreu visualmente e  durou em torno de um minuto. O contato pele a pele ficou prejudicado: 

Às 07h36min o recém-nascido veio ao mundo, o pediatra o recebeu e mostrou rapidamente à sua mãe e levou-o para sala de recepção do recém-nascido (Relato de observação, 02/05/09). 

Um interno de medicina que assistia ao parto recebeu o bebê em campo estéril e seco. Levou-o  imediatamente para a sala de recepção do recém-nascido e não o mostrou à sua mãe que o acompanhou com o olhar, na tentativa de ver o filho de perto (Relato de observação, 01/06/09). 

Estudo realizado com profissionais que atuavam em centro obstétrico, visando identificar os fatos que interferem na efetivação da prática do contato precoce entre mãe e bebê, evidenciou que apesar dos profissionais conhecerem as atuais propostas de humanização do parto e nascimento e de concordarem com a importância dessa intervenção, para eles, a implantação sofre influência, sobretudo, do empenho dos profissionais em realizá-lo19.

Na maioria das instituições estudadas, o contato mãe-filho somente ocorre depois que os procedimentos técnicos com o recém-nascido são realizados. Dessa forma, intervenções como as medidas antropométricas; a instilação de nitrato de prata nos olhos, dificultando a visão do recém-nascido e, consequentemente, a visualização da face materna; a realização do banho logo após o nascimento, que prejudica o controle termorregulador do recém-nascido, colaboram para o retardo do contato mãe-filho e estabelecimento do vínculo afetivo.

No modelo assistencial do parto humanizado, o contato precoce entre mãe e filho assume importância prioritária. No entanto, observamos que o RN ainda é submetido a um excesso de procedimentos- os cuidados imediatos, antes de ser colocado junto de sua mãe. 

O ESTÍMULO AO ALEITAMENTO MATERNO PRECOCE: UMA REALIDADE AINDA DISTANTE 

O aleitamento materno precoce, ainda na sala de parto é uma ferramenta importante para ajudar no estabelecimento do vínculo mãe-filho, além de estimular a produção de leite.  As observações mostraram que o incentivo ao aleitamento materno precoce ainda não faz parte da rotina da maioria das instituições estudadas:

A puérpera foi levada, após o parto, em cadeira de rodas para a sala de pré-parto, para  aguardar uma vaga na enfermaria. Seu filho, um bebê a termo e em ótimas condições, permanece na sala de recepção do recém-nascido e mesmo após quarenta minutos depois do parto ainda não sugou em seio materno (Relato de observação, 22/05/09). 

O bebê nasceu às 15h15min e foi recebido por uma técnica de enfermagem, em campo estéril e seco. (...) Agora são 15h39min e o bebê continua sozinho na sala de recepção do recém-nascido sozinho (...)(Relato de observação, 27/05/09).  

Para o bebê, o aleitamento materno, dentre outros benefícios, facilita a eliminação do mecônio após o nascimento, protege o trato gastrointestinal contra infecções, estimula a formação do apego16, diminui risco de icterícia e, consequentemente, os índices de mortalidade infantil5.  

Como a recém-nascida não parava de chorar a auxiliar de serviços gerais calça uma luva de procedimento e lhe oferece o dedo mínimo na tentativa de acalmá-la, mesmo assim, a criança continuava a chorar, a técnica de enfermagem, incomodada, levou-a para a sala de recuperação pós-anestésica onde estava sua mãe. Como a parturiente estava um pouco sonolenta a técnica ajuda a segurar o bebê e a coloca para sugar. A criança sugou o seio materno durante quinze minutos (Relato de observação, 30/04/09). 

Estudo realizado nas 11 instituições que prestam assistência ao parto em Cuiabá-MT, ao investigar sobre os cuidados prestados no momento do nascimento, 90,9% das instituições informaram que os recém-nascidos são colocados junto à mãe logo após o nascimento e 81,8% afirmaram colocar o recém-nascido para sugar ainda na primeira hora de vida20.

Por outro lado, em um estudo realizado no Estado de São Paulo, envolvendo 12 maternidades com adesão ao Programa de Humanização ao Parto e Nascimento (PHPN), que atende parturientes do SUS, a observação de 134 partos mostrou que apenas 8,3% das maternidades dispunham de pediatra para atender o RN no nascimento, 4,5% das maternidades proporcionavam o contato pele a pele mãe/bebê e apenas 23,1% possibilitavam o aleitamento materno na primeira hora de vida21.

As observações demonstraram que o estímulo à sucção precoce acontece em algumas situações e a depender de quem assiste o bebê. O Ministério da Saúde destaca que uma das preocupações na atenção ao nascimento deve ser o incentivo ao aleitamento materno precoce, e orienta que a primeira mamada deve ocorrer ainda na sala de parto, durante a primeira hora de vida, desde que mãe e filho tenham condições para tal4,5,22.  

As observações nas instituições estudadas mostraram que a prática do aleitamento materno precoce necessita ser efetivada de forma a atender às perspectivas da humanização, em que o recém-nascido e a mãe tenham a possibilidade de um contato precoce e estímulo ao aleitamento materno ainda na sala de parto, preferencialmente na primeira hora de vida. Vale ressaltar que mesmo após os cuidados imediatos e avaliação clínica do pediatra, os recém-nascidos de baixo risco permaneciam na sala de recepção aguardando a liberação da mãe para irem juntos para o alojamento conjunto, quando poderiam estar em contato com a mãe ou sendo amamentados, nesse intervalo de tempo.  

CUIDADOS COM O RECÉM-NATO NO NASCIMENTO  

Para analisar os cuidados prestados ao RN no processo de nascimento, consideramos os indicadores destacados na literatura científica e normatizações do Ministério da Saúde, tais como: boletim de Apgar, prevenção de doença hemorrágica no RN com a vitamina K, assistência no momento do nascimento prestada pelo pediatra, prevenção da oftalmia gonocócica com nitrato de prata, contato visual da mãe para com o RN na sala de parto, direito a acompanhante e aleitamento materno na primeira hora de vida23, 22.

Durante o período observado, tanto nos partos normais quanto nos operatórios, a grande maioria dos recém-nascidos foram atendidos por pediatra ou residentes de pediatria.

A administração de vitamina K para a profilaxia da doença hemorrágica foi realizada durante os cuidados imediatos a todos os RN, na dose de 1mg por via intramuscular, conforme recomendação do Ministério da Saúde22.

Por outro lado, a prevenção da oftalmia gonocócica com nitrato de prata a 1% somente foi realizada nos bebês nascidos de partos normais, em todas as instituições observadas, apesar de a Academia Americana de Pediatria recomendar que seja feita em todo o RN, independente do tipo de parto24

Os relatos de observação mostram a rotina de atendimento ao bebê, ao nascer:  

São14h50min e o ar-condicionado da sala de parto está ligado. Às 14h53min o bebê nasceu e foi recebido em campo estéril e seco (...) mas não foi mostrado para sua mãe. É levado diretamente para a sala de recepção do recém-nascido, onde é realizada a aspiração das vias aéreas, colocada a braçadeira de identificação no pulso direito, instilado nitrato de prata, uma gota em cada olho, curativo em coto umbilical, peso e vitamina K intra-muscular em vasto lateral da coxa. Somente após a realização desses procedimentos o recém-nascido foi levado até a mãe (...) E o contato do binômio mãe e filho durou menos de 45 segundos (Relato de observação, 18/05/09). 

No período imediatamente após o nascimento, o recém-nascido sofre para se adaptar ao meio extra-uterino e os profissionais de saúde, enquanto facilitadores deste evento devem proporcionar condições de bem-estar físico tais como, por exemplo, desligar o ar condicionado antes do nascimento, para que sua chegada seja num ambiente aquecido e/ou que minimize a perda de calor, além de reduzir o excesso de luminosidade e sonoridade ambiental. Afinal o bebê tem que começar uma nova etapa de adaptação e ajustar-se em um ambiente estranho, com manipulações que muitas vezes são desnecessárias, além de ficar afastado de sua mãe, a voz mais familiar que ele conhece3,4,15.  

Às 09h37min o bebê nasceu e foi recebido em campo estéril e seco, pelo pediatra. (...) O ar-condicionado da sala de parto estava ligado. (...) o pediatra levou-o para a sala de recepção onde realizou o clampeamento do cordão umbilical, aspiração das vias aéreas e avaliação do índice de Apgar. A técnica de enfermagem dá o banho em água morna, com sabonete líquido, seca o recém-nascido e realiza as medidas antropométricas (peso, estatura, perímetro cefálico e torácico), impressão plantar na ficha de declaração de nascidos vivos. Instila uma gota de nitrato de prata em cada olho, administra a vitamina K, coloca a braçadeira de identificação em pulso esquerdo, pinga álcool a 70% no coto umbilical e o veste com a roupa que a mãe trouxe. (...). Agora são 10h06min a puérpera e o bebê foram para a enfermaria juntos (Relato de observação, 27/05/09). 

O Ministério da Saúde recomenda que os cuidados com o recém-nascido de baixo risco logo após o nascimento, se restrinjam ao estritamente necessário, ou seja,  enxugar, aquecer, avaliar e entregá-lo para a mãe a fim de proporcionar um contato íntimo e precoce, olho no olho, pele a pele, e que todos os outros cuidados sejam realizados após o contato da mãe com seu filho4.

     Observamos que a assistência ao RN, no momento do nascimento, é centrada basicamente nos procedimentos técnicos, com o bebê sendo submetido a um excesso de manipulação, com pouca ênfase no contato visual mãe-filho e estímulo ao aleitamento precoce, distante do que se caracteriza a assistência humanizada para mãe e bebê. Os cuidados imediatos ao recém-nascido devem ser prestados sim, desde que se respeite o momento de interação mãe e filho e favoreça o estabelecimento precoce do vínculo. 

RELAÇÕES DA EQUIPE DE SAÚDE COM MÃE-FILHO-FAMÍLIA 

As relações entre os profissionais de saúde e as pessoas envolvidas no processo de parturição configuram-se como uma ferramenta indispensável para o estabelecimento de uma experiência saudável e feliz para mãe-filho-família. No momento do nascimento, cada família que vivencia este momento traz consigo uma expectativa no que diz respeito a “parir”, e o tratamento adequado, ou não, do ponto de vista subjetivo contribui efetivamente para a formação de uma opinião a respeito das relações estabelecidas.

Um aspecto fundamental na humanização do parto e nascimento refere-se à atenção e ao apoio emocional que a parturiente recebe da equipe e família durante este processo:

A gestante foi recebida pelas técnicas de enfermagem e é levada para a sala onde acontecerá a cesariana. (...) Ao perceber que a parturiente está nervosa a anestesista diz para ela: “não precisa ficar preocupada, nós estamos aqui para ajudar você” (Relato de observação, 30/04/09).

Foi observado que na chegada da parturiente à sala de parto ela é recebida por uma técnica em enfermagem, sendo que em algumas situações essas profissionais oferecem às usuárias atendimento amistoso e tranqüilo, ao passo que em outras mantém atitude distante e pouco acolhedora.  

O trabalho em saúde agrega um conjunto de práticas que torna possível o estabelecimento de uma assistência qualificada. No âmbito da humanização da assistência, seus pilares se baseiam na promoção das relações humanas como valor fundamental no seio das práticas públicas de saúde, melhorando o contato humano do profissional de saúde com o usuário, entre outros profissionais, e entre o hospital e a comunidade25.

A humanização do nascimento compreende fatores que possibilitam mãe/filho/família participarem ativamente deste evento e das decisões, que sejam reconhecidos os aspectos sociais e culturais do parto e do nascimento, para que recebam dos profissionais de saúde o suporte emocional necessário, respeitando a subjetividade de cada família que passa por este momento26.  

O pai fica próximo do berço aquecido, junto com as técnicas de enfermagem, falando sobre o filho (...) pergunta para as técnicas de enfermagem se está tudo bem, elas respondem que sim. (...) A técnica deixa o pai sozinho com o filho, e ele começa a conversar com o bebê e tirar fotos. (...) O pai pergunta para as técnicas de enfermagem se está atrapalhando e elas respondem que não (Relato de observação, 16/04/09). 

No processo de nascimento é importante também o apoio e a presença de alguém da família. Nesse sentido, o Ministério da Saúde, através da portaria nº 569 de 1º de junho de 2000, define que as instituições de saúde devem possibilitar à gestante o direito a ter um acompanhante, desde que a estrutura física do estabelecimento de saúde ofereça as condições necessárias26. A presença de um acompanhante possibilita à parturiente o apoio que ela necessita, assim como o contato e o aconchego que só um ente querido pode proporcionar nesse momento.

O acompanhante da gestante no momento do parto (familiar ou amigo, uma pessoa significante para a parturiente), não somente auxilia a mulher a relaxar, mas também contribui para que a assistência prestada seja mais humanizada, pois é um suporte psíquico e emocional, em que a mulher divide o medo e a ansiedade, soma forças e  é estimulada positivamente nos momentos mais difíceis7,4,27.

Na prática assistencial ao parto, na maioria das instituições observadas, as mulheres dão à luz desacompanhadas, longe de seus entes queridos. O direito da parturiente em ter um acompanhante durante o processo de parto não é respeitado, exceto nas instituições particulares, onde esse direito é concedido mediante o pagamento de uma taxa.

Em alguns dos serviços observados, apesar de não se permitir a presença de um acompanhante, a família pode permanecer no corredor que dá acesso à sala de parto e um membro da equipe leva o bebê para que eles possam vê-lo: 

O bebê está no berço aquecido na sala de reanimação sozinho e choramingando. Após 40 minutos depois dos cuidados imediatos, a enfermeira leva-o para a avó vê-lo, mas mostra rapidamente sem ao menos deixar a avó pegá-lo. ( Relato de observação, 01/06/09). 

A tia, auxiliar enfermagem que trabalha no hospital, pega o bebê (depois dos cuidados imediatos) e o leva até a família, que estava no corredor do centro- cirúrgico,  para conhecê-lo ( Relato de observação, 01/06/09. 

Em um estudo sobre a assistência ao parto e nascimento, realizado com mulheres que vivenciaram o trabalho de parto em uma maternidade pública de um hospital universitário, foi constatado que apesar dos benefícios do acompanhamento de uma pessoa significante para as parturientes no momento em que necessitava de apoio, colaborando para uma experiência satisfatória, evitando prejuízos à elas e aos seus bebês, foi observado que havia um despreparo de alguns profissionais em lidar com sua presença durante o trabalho de parto, até mesmo pela ausência de infra-estrutura para receber este acompanhante28.

Humanizar a atenção à saúde implica mudanças de atitudes e hábitos de todas as pessoas envolvidas no cuidado, seja do usuário, do profissional, do gerente/gestor, e da incorporação de novas práticas no âmbito da saúde.

A prática da humanização no parto e nascimento deve ter como objetivo, promover o bem-estar fetal durante o nascimento, e também permitir que a mulher tenha uma assistência de qualidade, na qual a mesma tenha a oportunidade de escolha no que concerne ao acompanhamento de sua gravidez, parto e nascimento28.

Assim, as mudanças na prática da assistência perinatal devem começar com a estimulação da participação familiar no processo de nascer, resgatando medidas que tornem o nascimento menos biológico e mais sócio-cultural. Essas medidas contribuem para que os profissionais de saúde sejam realmente facilitadores do processo de parturição, colocando a família no seu verdadeiro lugar, de protagonista1

CONCLUSÃO  

Este estudo teve como objetivo analisar a assistência ao recém-nascido no momento do nascimento em Cuiabá-MT, na perspectiva das políticas de humanização do parto e nascimento. Os dados demonstraram que a assistência ao processo de nascimento continua com enfoque no modelo médico biologicista e tecnocrático, em que as intervenções, a rotina hospitalar e o médico continuam sendo as figuras principais deste evento.

Para que o nascimento retorne ao significado de suas origens e seja saudável, é preciso que seja oferecido um atendimento digno, respeitoso, individualizado, qualificado e de qualidade. O cuidado deve estar aliado a uma visão humanista e que contemple uma relação no contexto social, cultural e econômico, no qual se inclua a mulher, o recém-nato e a família29,30.

A humanização do parto e nascimento exige de todos os atores envolvidos no processo, esforços para que deixem de priorizar as condutas e os procedimentos desnecessárias e extremamente intervencionistas, tanto para a mulher como para o recém-nascido, e coloquem em primeiro plano o contato precoce entre mãe e filho, buscando garantir uma assistência segura e de qualidade para o binômio. 

IMPLICAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES PARA PRÁTICA

 

Este estudo vêm contribuir com as ações assistenciais prestadas a parturiente e recém-nascido no momento do nascimento, em conformidade com o que o Ministério da Saúde preconiza no Brasil, no qual as práticas dos profissionais de saúde que atuam na sala de parto, principalmente o(a) enfermeiro(a) e a equipe de enfermagem, precisam estar de acordo com estas normas, com vistas à humanização e melhoria da qualidade assistencial.

REFERÊNCIAS 

1.            Tavares CMA, Gaíva MAM. O nascimento: um evento pertencente à equipe de Saúde? Texto e Contexto Enferm, 2003 out/dez; 12(4): 569-75.

2.            Diniz CSG. Humanização da assistência ao parto no Brasil: os muitos sentidos de um movimento. Ciência e Saúde Coletiva, 2005 jul/set; 10(3): 627-637.

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Endereço para correspondência: priscilladosanjos@yahoo.com.br

Rua Conde Maurício de Nassau, casa 3, Morada dos Nobres. Cuiabá-MT. 78068-010.

O trabalho faz parte do projeto de pesquisa Morte Materna e Neonatal e Qualidade da Atenção À Saúde em Mato Grosso, financiado pelo CNPq.