Health education, nurses and creativity: the necessary interconnection to the educative process
Educação em Saúde, enfermeiros e criatividade: a interconexão necessária para o processo educativo

Educación en Salud, Enfermeros y Creatividad: La Interconección necesaria para el Proceso Educativo

Francisca Georgina Macêdo de Sousa* ; Marlene Gomes Terra**, Kenya Schmidt Reibnitz***, Vania Marli Schubert Backes***

* Universidade Federal do Maranhão – UFMA, São Luis – MA, Brasil; ** Universidade Federal de Santa Maria – UFSM - Rio Grande do Sul, Brasil; *** Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC – Florianópolis – SC, Brasil   

Abstract. The object of this paper is to reflect upon the dimension of health education as a process of construction in comparison with the current pattern of health attention. It also intends to obtain a critical view upon nursing care and in the education of nurses, trying to look for strategies for an innovational and creative practice of health education. In this article, it is aimed to discuss realities and evidences as well as reassure necessities, transform situations and widen the awareness about the professional practice of nurses. Understanding health in its wide dimension demands from the professionals an articulation that is able to apprehend the way of thinking and the way of doing the routine of patients and professionals in the entireness of the human being. It aims, over all, the participation of professionals and the nursing team in the educative process in which they are introduced, acting as co-responsible in the caring of people’s health.

Keys-words: Health education; Nursing; Creatividad; Nursing Care.

Resumo. O texto objetiva refletir a dimensão da educação em saúde como processo criativo de construção. Pretende lançar um olhar crítico no cuidado e formação do enfermeiro, buscando estratégias para uma prática inovadora e criativa de educação em saúde. Trata-se, por um lado, discutir realidades e evidências, por outro, reafirmar necessidades, transformar situações e ampliar a consciência sobre a prática profissional dos enfermeiros. Parte-se da premissa de que entender a saúde em dimensão mais ampla exige articulação com saberes que sejam capazes de apreender o modo de pensar e fazer do cuidado no cotidiano dos clientes e dos profissionais concebendo a inteireza do ser humano. Reafirma-se a participação dos profissionais no processo educativo atuando como co-responsáveis no cuidado à saúde da população.  

Palavras chaves: Educação em saúde; Enfermagem; Criatividade; Cuidado de Enfermagem.

Resumen. El artículo tiene como objetivo reflexionar acerca de la dimensión de la educación en la salud como un proceso creativo de construcción. La intencionalidad es lanzar una visión crítica en el cuidado y en la formación del enfermero, buscando estrategias para una práctica innovadora y creativa en la educación para la salud. Se trata, por un lado, de discutir realidades y evidencias y, por el otro, reafirmar las necesidades, transformar las situaciones y ampliar la conciencia sobre la práctica profesional de los enfermeros. Se parte de la premisa de que entender la salud en su dimensión más amplia exige de una articulación con los saberes que sean capaces de aprehender la manera de pensar y hacer del cotidiano de los clientes y de los profesionales en la integralidad del ser humano. Se reafirma la participación de los profesionales en el proceso educativo actuando como corresponsables en el cuidado de la salud de la población.

Palabras Clave: Educación para la salud. Enfermería. Creatividad. Cuidado de Enfermería.

NOTAS INTRODUTÓRIAS  

Não restam dúvidas de que na sociedade contemporânea, as rápidas transformações no mundo do trabalho, o avanço tecnológico e os meios de informação e comunicação incidem fortemente sobre as pessoas, aumentando também os desafios dos profissionais da saúde e da educação. Esses desafios não são tarefas simples, eles precisam ser, prioritariamente, enfrentados pelas políticas públicas e pela equipe de enfermagem. Nesse particular, defendemos a assertiva de que os profissionais devem colaborar para aperfeiçoar a organização dos serviços e do cuidado em saúde principalmente no que diz respeito à promoção da saúde e à qualidade de vida, onde estão inseridas as práticas educativas.  

Ao abordarmos a temática da educação em saúde, nos confrontamos com temáticas instigantes e desafiadoras. Uma delas seria refletir sobre a dimensão da educação como processo de construção de cidadania. Outra, seria lançar um olhar crítico sobre o processo de cuidado de enfermagem e na formação do enfermeiro, buscando estratégias para uma prática inovadora e criativa na educação em saúde.

Nesse texto, pretende-se, discutir sobre realidades e evidências da educação em saúde e ampliar a consciência sobre o exercício profissional dos enfermeiros em relação à prática educativa.

Uma aproximação ao campo da educação em saúde

 A educação em saúde envolve distintas concepções de educação, de saúde e de homem, segundo as quais dois modelos de prática educativa são delimitados: o hegemônico e o dialógico1. O hegemônico é um modelo que visa à prevenção das doenças e agravos, mediante o repasse de conteúdos biomédicos para a redução de riscos individuais. O modelo dialógico2 ao contrário, tem como ponto de partida o indivíduo e a sua realidade, reconhecido como sujeito da prática educativa, cuja orientação é o desenvolvimento de sua autonomia no cuidado com a própria saúde. Assume relevância a afirmação de que este enfoque é propiciador de práticas educativas socioculturalmente sensíveis2. Por esse olhar, não se tem dúvidas de que a educação em saúde é uma importante estratégia no processo de desenvolvimento de comportamentos saudáveis que visem à promoção e à qualidade de vida.

A educação em saúde é, portanto, uma prática social e um processo que contribui para a formação e o desenvolvimento da consciência crítica das pessoas a respeito dos seus problemas de saúde, além de estimular a busca de soluções e a organização para a ação coletiva. Nessa perspectiva, a educação em saúde rejeita a concepção estática de educação, entendida, apenas, como transferência de conhecimentos, habilidades e destrezas e centra-se na participação e no diálogo. Portanto, a prática educativa deixa de ser um processo de persuasão e de transferência de informações, passando a ser um processo de capacitação de indivíduos e de grupos para a transformação da realidade. Nessa perspectiva o profissional pode despertar nos indivíduos receptores do cuidado um sentimento de competência e responsabilidade, para que o cuidado educativo não se torne uma imposição3. Para finalizar, acrescentamos que o processo de educação em saúde não é e nem deve ser um evento pontual e sim o de criar todas as oportunidades de encontro com pessoas, famílias e comunidades.

Sob esta perspectiva o objetivo da educação em saúde é proporcionar às pessoas possibilidades de um modo de vida mais saudável da forma mais independente possível4, pois a função de educar é conduzir o indivíduo incentivando-o para o crescimento pessoal e valorizando as pessoas como seres humanos2. Em oposição, Lefevre e Lefevre5, afirmam que “as pessoas não devem ser conduzidas”,5:60 ao contrário de educar conduzindo, é preciso informar o cidadão, de modo claro e transparente na dimensão do empowerment, isto é, do “fortalecimento das populações por meio do reforço das ações comunitárias e do desenvolvimento e fortalecimento das habilidades pessoais”5:60. Este fortalecimento se traduz na comunidade pela capacidade de intervir e de habilidades para gerar mudanças nos condicionantes sociais da saúde por meio da mobilização coletiva5.

Em sentido similar, o Ministério da Saúde6, aponta como objetivos da educação em saúde, encorajar as pessoas a adotar e manter padrões saudáveis de vida e tomar suas próprias decisões, tanto individual como coletivamente, visando melhorar sua saúde e adequar às condições do meio ambiente.  Isso significa dizer que a educação em saúde visa desenvolver nas pessoas compromisso com a sua própria saúde e com a saúde da comunidade, fortalecendo assim, a responsabilidade comunitária e social.

Parte-se, então, do pressuposto de que a educação em saúde deve ser repensada como processo capaz de desenvolver nas pessoas a consciência crítica em relação às causas dos seus problemas e, ao mesmo tempo, criar um dinamismo para atuar no sentido de mudanças. Essa condição exige um processo contínuo e dinâmico baseado no diálogo que compreende a escuta e o envolvimento6. 

Contextualizando a realidade: um olhar para a prática em educação e saúde  

Na perspectiva desse olhar, utiliza-se neste texto, a concepção ampliada de saúde, não aquela centrada na doença, mas como um campo complexo, que rompe com o domínio de um saber pelo outro e com as ações inflexíveis e são substituídas pelas condições e possibilidades de diálogo que o processo criativo permite. Tal condição vai além da competência técnico-científica na qual se baseia o modelo biomédico, em que os profissionais, costumam trabalhar nos grupos de educação em saúde, ressaltando o conhecimento técnico. Isto, no entanto, não se configura numa relação de sujeitos, mas de sujeito-objeto, dificultando a escuta, a conversa e o diálogo2. Nesse contexto, a educação em saúde pode significar submissão quando envolve imposição de verdades sobre a saúde e onde o paciente tem a experiência de ter seu corpo ou família governada por critérios alheios aos seus7.

Antes de avançar, parece ainda pertinente a crítica feita por Queiroz8 ao discorrer sobre a prática educativa em saúde:

“Os trabalhos educativos presos, muitas vezes, na ideologia do cientificismo, renovam o equipamento teórico científico de terapias e pedagogias enfatizando a engrenagem geradora do autoritarismo e do poder de quem sabe mais sobre quem sabe menos e, que assim, refazem sempre o percurso político científico da higiene médica.” 8:268 

Percebe-se, portanto, a necessidade de mudanças, principalmente, para deixar de ‘‘reduzir os homens ao estado de coisas”,9:38 pois toda educação, deve ser precedida de uma reflexão sobre o homem9. Faltando esta reflexão pode haver a adoção de métodos e de maneiras de atuar que reduzem o homem à condição de objeto.

Nesse sentido, a questão básica da educação em saúde é reverter um processo antigo e tradicional, que busca educar para as normas e ordens técnicas da saúde para uma educação em saúde com a população, visando recuperar a experiência cotidiana de vida das pessoas e o saber popular8. A atitude de educar para as normas, conduz a uma grave miopia política e social, que faz com que as atividades educativas sempre ocorram como mera transmissão de informações das normas higiênicas8. Nesse particular, a construção do conhecimento passa pela informação, mas não se reduz a ela10. As informações só serão dotadas de sentido quando se transformam em um instrumento de interlocução de diálogo multifacetado e multidimensional a partir da construção de significados.

Tais observações fazem-nos repensar os aspectos que permeiam o processo de educação em saúde, entre eles, a formação, o trabalho, os novos saberes e as práticas em saúde que sejam capazes de resultar em transformações no cotidiano das pessoas que buscam e oferecem cuidado em saúde.

A ineficácia desse modelo educativo parece evidente, pois, em geral, constata-se que as informações não são transportadas para o cotidiano das pessoas8. Desta forma, percebemos que, mobilizar a criatividade, a subjetividade e o diálogo, e, promover a articulação destes com os aspectos do conhecimento técnico e científico, são condições necessárias e urgentes para buscar e reforçar a integralidade do homem nas ações de saúde.

A criatividade como ferramenta para o processo de educação em saúde

Criatividade é uma palavra de origem do latim creare que significa fazer e, do grego, krainer que significa realizar. Ambas demonstram a preocupação com o que se faz e com o que se sente. Assim, a criatividade é a expressão de um agir mais livre, indo ao encontro daquilo que desejamos de forma dinâmica, sem se ater a padrões antigos, mas também respeitando limites e idéias11. Criatividade “é um processo mental e prático após terem sido pensadas idéias novas por uma pessoa ou um grupo que conseguem também realizá-las concretamente”12:300. Portanto, criatividade “não se trata de simples fantasia, nem de simples concretude: trata-se de uma síntese entre fantasia e concretude12:301. Em uma outra perspectiva é possível percorrer três caminhos para definir criatividade13. Inicialmente, a criatividade como novidade que dá forma à criação, porque quebra o molde costumeiro e estende as possibilidades do pensamento e da percepção. Nesse caminho, a criatividade é considerada como processo que emerge de um conhecimento existente produzindo acréscimo ao conhecimento recriado12. Esse acréscimo é tanto quantitativo como qualitativo, reforçando que “algo pode ser criado sem ser completamente novo”13:48.

No segundo caminho, a criatividade é apresentada como produção divergente, isto é, a produção de soluções possíveis para uma determinada questão. Essa característica parece constituir fator importante na expressão do talento criativo, uma vez que abrange a produção de idéias em quantidade, qualidade, originalidade, flexibilidade e sensibilidade. O exercício do pensamento divergente é necessário para a implementação de mudanças13 e, para tanto, a relação profissional-usuário, nesta concepção, requer um redimensionamento de seus papéis, tendo em vista que prescindem das antigas e rígidas fronteiras14.

A motivação é o terceiro caminho como componente vital da criatividade. Por meio da motivação, as pessoas mostram-se curiosas, têm idéias empreendedoras, são intelectualmente persistentes e tolerantes face à ambigüidade e preferem a ordem complexa e os desafios14. É claro que são necessárias algumas condições para a concretude do processo criativo. Nesse sentido, para se motivar criatividade em todas as pessoas que trabalham em um grupo torna-se imprescindível um ambiente dotado de entusiasmo onde as pessoas têm liberdade de expressão e ação, carisma dos líderes, curiosidade intelectual e refinamento estético15. Os fatores que podem contribuir para incrementar a criatividade de um indivíduo ou de um grupo compreendem a disponibilidade de meios culturais e materiais e a exposição a estímulos culturais diferentes ou até contrastantes15. Mas, todo processo cognitivo exige esforço mental, e para que este seja criativo exige amor e dedicação. A pessoa deve sentir-se atraída a realizá-lo, “pois só pode ser feito por puro prazer”15:222.

É pertinente para este texto acrescentar a definição de criatividade elaborada a partir de uma representação gráfica16 (Fig. 1), que expressa a dinâmica e movimento conferido ao processo criativo.

                                                                                                         

Fig. 1 Representação Gráfica do Conceito de Criatividade16

A criatividade, neste diagrama16, é apresentada como processo e como expressão da arte de criar que emerge da dialógica circular de estímulos externos, a partir de domínios como a sensibilidade, a emoção, a motivação, a percepção, a curiosidade, as habilidades técnicas e cognitivas integradas à ciência, à tecnologia, à sociedade e ao ambiente. Esses domínios encontram-se em completa e complexa interação de forma dinâmica e contínua no sentido de gerar um resultado. Resultado esse que nem sempre poderá ser a solução para um problema, mas a condição para desenvolver e vislumbrar outras possibilidades de conhecimento e/ou de intervenção em saúde16.    

Assim, entendemos que todas as pessoas têm capacidade para serem criativas. A realização de seu potencial criativo depende da motivação, dos estímulos externos (ambiente e contexto) e internos (pessoal)16. Sobre o aspecto da motivação interna, as pessoas criativas possuem características como: fluência e flexibilidade de idéias; pensamento original e inovador; alta sensibilidade externa e interna; fantasia e imaginação; inconformismo; independência de julgamento; abertura de novas experiências; uso de analogias e combinações incomuns; idéias elaboradas e enriquecidas; preferência por situações de risco; alta motivação e curiosidade; elevado senso de humor; impulsividade e espontaneidade e, por fim, confiança em si mesmas11.  

Com efeito, tentar definir criatividade não é tarefa fácil. Ao se pronunciar a palavra criatividade cada um pode entendê-la de modo diferente e particular. Como o recorte de mundo é dado por meio de diferentes pontos de vista, o mundo, portanto, presta-se a múltiplas interpretações. Mas vale, ainda, inferir que a criatividade provoca a manifestação de potencialidades, desperta a coragem para enfrentar desafios e predispõe à operatividade. Por tais razões, seria interessante que a criatividade permeasse a educação em saúde enquanto ferramenta necessária para o processo educativo, envolvendo profissional e usuário.

Com o olhar para o futuro: possíveis redirecionamentos  

Redirecionar implica em mudar. Onde

“[...] muitos falam na mudança, chegam até a vislumbrar a sua possibilidade, porém, conservam na sua forma própria de ser educador, de ser pesquisador, de dar aulas, um patriarcado que enquadra, que rotula, que modula, que cerceia, que limita. Poucos são os que se aventuram a viver a alteridade, porque é caro o preço que se paga pela mudança de ciclo. É preciso ser nisso um pouco Fênix , morrer para renascer das cinzas; e morrer é assumir a consciência da ruptura, e a idéia de uma morte traz em si mesma uma idéia de finitude17:42.  

A mudança comporta-se como movimento dinâmico e complexo, pois não a realizamos sem conflitos, no entanto, ela possibilita espaços de reflexão crítica e participativa sobre o processo de cuidar e educar.

Para os possíveis redirecionamentos do agir do enfermeiro na educação e saúde como processo criativo, dialógico, de construção e de reconstrução, se faz necessário assumir alguns pressupostos como princípios para uma nova prática, dos quais se destaca:

§     A educação em saúde como estímulo ao indivíduo para participar do processo educativo;

§     As ações em saúde orientadas no enfoque à liberdade, à autonomia e à independência dos indivíduos;

§     A educação em saúde pedagógica e terapêutica. Pedagógica, porque se responsabiliza pelas informações e estimula a participação e o compromisso e, terapêutica, porque permite retificar e/ou mudar comportamentos.

Tais pressupostos nos fazem questionar: Que caminhos metodológicos devem utilizar os enfermeiros para a educação em saúde? Percebe-se que são inúmeras as possibilidades quando se utiliza da criatividade, pois se compreende que a educação em saúde é um processo e, como tal, é contínuo, dinâmico, aberto e, portanto, criativo. 

Pode-se afirmar, então, que a educação em saúde não poderia ocorrer como ação mecânica e automática. Defende-se a educação em saúde como uma ação planejada, dinâmica, sensível, múltipla e criativa. Assim, ela é dinâmica, porque está em contínua transformação; é sensível, porque se reveste de aspectos perceptíveis pelos sentidos, e múltipla como conseqüência da dinamicidade decorrente das infinitas capacidades do homem. Isto implica em vontade, ação, habilidades, técnicas, ética e estética, que superam em muito o conhecer, porque implica em alegria, satisfação, prazer...

Por último, cabe destacar, que conceber a educação em saúde como processo participativo e dialógico, é conceber a possibilidade de romper com a unilateralidade do conhecimento e poder utilizar a criatividade como arte que favorece o movimento rumo à qualidade de vida. Visualiza-se assim, estratégias cotidianas de educação em saúde, utilizando-se de estruturas permeadas pelo inovador, pelo criativo e, sobretudo, pelo estabelecimento de vínculos sociais onde o indivíduo tem lugar de sujeito da ação dotado de conhecimentos e de experiências que fazem e enriquecem o processo educativo.

Finalizando a reflexão  

Entender a saúde na sua dimensão mais ampla exige dos profissionais a valorização dos diferentes saberes dos diferentes sujeitos, o que cuida e o que é cuidado. A partir do estímulo a criatividade e por meio da relação dialógica é possível conceber a educação em saúde, pois “[...] uma educação só pode ser viável se for uma educação integral do ser humano. Uma educação que se dirige à totalidade do ser humano e não apenas a um de seus componentes [...]”18:11.

 É preciso reconstruir o conhecimento no sentido de alcançar a dimensão humana por meio de equipes inter e transdisciplinares para otimizar o cuidado à saúde. Desta forma, é preciso utilizar o diálogo juntamente com conhecimentos de outras áreas (principalmente das ciências sociais e humanas), para assim, exercitar uma prática de ação-reflexão cooperativa, de indagação e experimentação utilizando recursos metodológicos e didáticos que enfatizem a reflexão da realidade, o pensamento divergente na busca de alternativas para a mudança, ou seja, a criatividade e o fazer juntos. Promovendo, por um lado, o sujeito como participante ativo, e, por outro, o profissional e a equipe como co-responsáveis do cuidado para a saúde.  

Para que isso ocorra, é indispensável que a educação seja construída valorizando o processo criativo e promovendo a formação de um profissional crítico, sensível, voltada e comprometida com as necessidades reais da população, para assim, responder às exigências colocadas pelo contexto de contínuas mudanças sociais. Portanto, o desafio que hoje se estabelece para implementação de uma educação em saúde mais dialógica, é que também ocorram estas mudanças no processo de formação do Enfermeiro. Os Projetos Pedagógicos dos Cursos de Enfermagem precisam ser menos reducionistas e mais orientados pela complexidade e pelos processos inter e transdisciplinares. Dessa forma, o retorno social esperado, além de efetivo, tornar-se-á mais comprometido com as mudanças exigidas pelas necessidades da promoção à saúde.  

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