Collective Defense Strategies: tactics to mitigate suffering in nurse’s hospital work

 Estratégias Coletivas De Defesa: táticas para mitigar o sofrimento no trabalho hospitalar da enfermeira

 Norma Valéria Dantas de Oliveira Souza1, Marcia Tereza Luz Lisboa2, Élissa Jôse Erhardt Rollemberg Cruz1

1 Universidade do Estado do Rio de Janeiro, RJ, Brasil;  2 Universidade Federal do Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

 SUMMARY. Introduction: Qualitative, descriptive study that had as object the defense collective strategies made by assistance nurses in order to mitigate the suffering that comes from hospital work organization. Objective: To characterize the defense collective strategies made by nurses at medical and surgical clinics context. Methodology: The study scenario was a University Hospital, the individuals were 25 nurses and the data collection techniques were: semi-structured interview and observation. The analysis method was based in the hermeneutic-dialectic that has showed the following categories: defensive strategies made by assistance nurse collective. Main Results: The analysis showed twelve defense collective strategies that the nurse use to mitigate and/or occult the suffering came from work organization. Conclusions: It was stated that the referred strategies can be interesting tactics against the suffering since they allow the nurse to keep on working without getting physically and psychologically sick, it means, to resist working organization pressures without experiencing classic pathologic processes. Thus, they can be characterized as a factor that results in alienation, hiding the real comprehension of work context.

Key-words: Work, Occupational Nursing, Emotions 

RESUMO. Introdução: Estudo qualitativo, descritivo, que teve como objeto as estratégias coletivas de defesa elaboradas por enfermeiras assistenciais a fim de mitigar o sofrimento decorrente da organização do trabalho hospitalar. Objetivo: Caracterizar as estratégias coletivas de defesa elaboradas pelas enfermeiras no contexto das clínicas médicas e cirúrgicas. Metodologia: O cenário do estudo foi um Hospital Universitário do Rio de Janeiro, os sujeitos eram 25 enfermeiras e as técnicas de coleta de dados foram: entrevista semi-estruturada e a observação. O método de análise embasou-se na hermenêutica-dialética, o qual apontou para a seguinte categoria: as estratégias defensivas elaboradas pelo coletivo de enfermeiras assistenciais. Principais resultados: A análise revelou doze estratégias coletivas de defesa que as enfermeiras utilizam para mitigar e/ou ocultar o sofrimento advindo da organização laboral. Conclusões: Constatou-se que as referidas estratégias podem ser táticas interessantes contra o sofrimento porque permitem às enfermeiras continuar trabalhando sem adoecerem física e psiquicamente, isto é, resistindo às pressões da organização laboral sem sucumbirem a processos patológicos clássicos. Mas, por conseguinte, podem se caracterizar num fator que resulta em alienação, mascarando a compreensão real do contexto de trabalho.

Palavras-Chave: Trabalho; Enfermagem do Trabalho; Emoções. 

CONSIDERAÇÕES INICIAIS 

O objeto desse estudo trata das estratégias coletivas de defesa elaboradas por enfermeiras assistenciais a fim de mitigar o sofrimento decorrente da organização do trabalho hospitalar. Essas estratégias são técnicas de defesa estruturadas socialmente e desenvolvidas como resultado da concordância, amiúde inconsciente, entre membros de uma organização laboral com o objetivo de conter, modificar ou fugir da ansiedade, culpa, dúvida e incerteza advinda do mundo do trabalho1.

Ressalta-se que este objeto emergiu do trabalho de análise da tese de doutorado intitulada “Dimensão Subjetiva das Enfermeiras Frente à Organização e ao Processo de Trabalho em um Hospital Universitário” defendida na Escola de Enfermagem Anna Nery em dezembro de 2003.

A dimensão social do trabalho e sua importância enquanto determinantes do processo saúde-doença são analisadas por Sampaio, Hitomi, Ruiz2 da seguinte forma:

 

É força, tempo e habilidade que se vende para obter condições de morar, vestir, comer. Como isto não bastasse, o trabalho nos situa na hierarquia social de valores, visível no prestígio social de algumas profissões frente outras. [...] Assim, o trabalho nos remete para a possibilidade de consumo, felicidade, adoecimento e morte2:65.

 

Nas sociedades capitalistas, estamos tão aprisionados ao trabalho como mero negócio desigual de venda da força de trabalho por salários aviltados e do medo constante do desemprego, que nem percebemos as diversas alternativas realizadoras do trabalho. Assim sendo, é tarefa difícil encontrar prazer nesta atividade transformadora do mundo, e que também transforma o ser humano. Parece que é necessário “passar pelo trabalho como inferno, pela negociação salarial como o purgatório, para alcançar o paraíso do consumo”2:67.

Pode-se deduzir que, sob a forma de trabalho explorado e alienado, a negação da capacidade criativa do trabalho torna-o uma atividade destrutiva e não potencializadora das virtualidades dos trabalhadores. Para Seligman Silva3:56, “no trabalho alienado há uma utilização deformada e deformante das potencialidades psíquicas, assim como do próprio corpo do trabalhador.”

Dejours, Abdoucheli e Jayet,4, ao discutirem a organização de trabalho e sua influência na saúde dos trabalhadores, asseveram que a organização do trabalho perpassa pelo conteúdo da tarefa e das relações humanas no trabalho e que, quando ela se dá de forma rígida e autoritária, conduz a um aumento da carga psíquica, e, portanto, a um risco potencial de interferir na saúde do trabalhador. Os autores complementam afirmando que

 

a organização do trabalho refere-se a divisão do trabalho: divisão de tarefas, repartições, cadências, e, enfim, o modo operatório prescrito; e por outro lado a divisão de homens: repartição das responsabilidades, hierarquia, comando, controle, etc.4:125.

 

Pode-se inferir que a organização do trabalho atua no funcionamento psíquico. A divisão das tarefas e o modo operatório incitam o sentido e o interesse do trabalho para o sujeito, enquanto a divisão de homens recorta as relações entre pessoas e mobiliza investimentos afetivos - amor e ódio, amizade, solidariedade, confiança, entre outros5. Palácios6 revela que determinada estrutura da organização do trabalho pode levar certo segmento de trabalhadores a exprimir sentimentos negativos, como impotência, falta de sentido e isolamento social, traduzindo-se em sofrimento psíquico.

De acordo com Dejours, Abdoucheli e Jayet4, o sofrimento é inevitável e permeia todas as dimensões do cenário da vida, com raízes na história de cada indivíduo. Ele surge do choque entre a história individual dos trabalhadores, que são portadores de projetos e desejos, e uma organização do trabalho que não permite a realização destas aspirações.

As manifestações do sofrimento variam de acordo com o tipo da organização do trabalho, assim como do conteúdo da tarefa que dela deriva e que o trabalhador deverá executar1, podendo caracterizar-se em insatisfações, medo, angústia, tédio, ou motivações, transformações e prazer. Assim, o trabalho “não é nunca neutro em relação à saúde, e favorece seja a doença, seja a saúde”1:164

O sofrimento suscita estratégias defensivas que “conduzem a modificações, transformações e, em geral, a eufemização da percepção que as pessoas têm da realidade que as faz sofrer”1:165. Elas objetivam abrandar, conter e ocultar um sofrimento. Desta forma, as estratégias defensivas configuram uma forma de adaptação às pressões de uma organização do trabalho, as quais atingem os indivíduos.

O sofrimento, o prazer e a identidade são vivências subjetivas. Elas remetem ao sujeito singular, portador de uma história, e, por isso, de uma experiência única, sentida de forma particular. Assim, cada indivíduo, ao vivenciar um determinado sofrimento, constrói seus mecanismos individuais de defesa, a fim de se adaptar da melhor maneira possível. Em situações coletivas, como nas relações de trabalho, cada sujeito vivendo, individualmente, um sofrimento, é capaz de unir esforços para elaborar estratégias coletivas de defesa a fim de se protegerem desse sofrimento.

 

A diferença fundamental entre um mecanismo de defesa individual e uma estratégia coletiva de defesa é que o mecanismo de defesa está interiorizado (no sentido psicanalítico do termo), ou seja, ele persiste mesmo sem a presença física de outros, enquanto a estratégia coletiva de defesa não se sustenta a não ser por um consenso, dependendo assim, de condições externas4:128.

 

Atuando no contexto do trabalho hospitalar observou-se empiricamente que existiam múltiplas situações advindas de uma organização laboral pouco racional e fragmentada as quais apresentavam fortes determinantes para gerar sofrimento nas enfermeiras e por sua vez interferir no processo saúde-doença dessas trabalhadoras. No entanto, algo inqueitava, pois as enfermeiras não evidenciavam insatisfações com a organização laboral em que se encontravam como também, não mostravam sinais de degradação física e/ou emocional. Realizando-se um estudo exploratório objetivando responder a esta inquietação, percebeu-se que naquele coletivo profissional poderiam existir estratégias defensivas que auxiliavam as enfermeiras a se adaptarem a organização laboral sem evidenciarem alterações significativas no processo saúde-doença. Esta constatação resultou na investigação das estratégias defensivas que permeavam o contexto de trabalho das enfermeiras que atuavam em clínicas médicas e cirúrgicas.

Diante do que foi contextualizado, o objetivo dessa investigação foi caracterizar as estratégias coletivas de defesa elaboradas pelas enfermeiras no contexto das enfermarias de clínicas médicas e cirúrgicas de um hospital universitário do Rio de Janeiro.

Ao caracterizar as estratégias coletivas de defesa é possível contribuir para o conhecimento das alternativas e das táticas que as enfermeiras lançam mão para se adaptarem e não adoecerem frente a uma organização laboral com potencial para gerar efeitos prejudiciais na saúde das trabalhadoras.  Além disso, com esta pesquisa pode-se entender mais profundamente a dinâmica do trabalho das enfermeiras, analisando as situações que provocam desconforto e sofrimento e que, por conseguinte, suscita a elaboração das estratégias defensivas.

As pesquisas na área da subjetividade e trabalho da enfermagem ainda são consideradas incipientes7, portanto, este estudo buscou contribuir também com o crescimento e o fortalecimento dos conhecimentos gerados a partir de estudos que abordem a subjetividade no trabalho da enfermagem. 

METODOLOGIA 

Esse estudo teve uma abordagem qualitativa do tipo descritiva. O cenário escolhido para a pesquisa foi um hospital universitário do município do Rio de Janeiro. O referido hospital oferece serviço de saúde diversificado, com atendimento à saúde nos três níveis: primário, secundário e terciário. Possui 600 leitos distribuídos entre enfermarias de clínicas médicas, cirúrgicas, pediátricas, obstétricas e unidades especiais de cuidados intensivos.

Os sujeitos escolhidos para o desenvolvimento do estudo foram 25 enfermeiras que trabalhavam em unidades de internações clínicas e cirúrgicas com, pelo menos, cinco anos de exercício profissional. Este critério de inclusão deveu-se à percepção de que essas profissionais já possuíam uma visão concreta da profissão e da área de saúde hospitalar, na qual sonhos e fantasias construídos ao longo do curso de graduação e início de carreira possivelmente já sofreram o crivo da realidade. Outros critérios de conformação dos sujeitos foram o aspecto do voluntariado, sua aceitação livre e espontânea e a disponibilidade de tempo.

Foram utilizados dois tipos de técnica de coleta de informações, a entrevista individual semi-estruturada e a observação participante. A entrevista semi-estruturada foi escolhida com o propósito de que prossibilitasse o estreitamento dos laços e da confiabilidade entre entrevistador e entrevistado, o que reverte na captação de informações relevantes ao desenvolvimento do estudo8,, através da liberdade e espontaneidade nas respostas do informante. Quanto à escolha da observação como outro método de coleta de informações, deveu-se ao fato de que, através dela, foi possível aprofundar no cotidiano de trabalho das enfermeiras, apreendendo seus detalhes relevantes e os comportamentos decorrentes da influência do cenário na subjetividade dos sujeitos da pesquisa.

Atendendo às exigências éticas, o projeto foi aprovado e cadastrado pelo no Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) sob o número 502-CEP/HUPE em 13 de dezembro de 2001.

O método de análise e tratamento das informações selecionado foi a hermenêutica-dialética, que é descrita como um método que realiza uma reflexão fundamental, um “caminho do pensamento”, que tem como norte não se distanciar da práxis social, aprofundando-se na conjuntura histórica, social, econômica e política, buscando uma certa visão de conjunto, a totalidade significativa que ajuda a compreender o fenômeno investigado9, possibilitando trabalhar os aspectos subjetivos e objetivos do processo psico-cognitivo das pessoas. Assim, ao aplicar o método da hermenêutica-dialética emergiu a seguinte categoria: as estratégias defensivas elaboradas pelo coletivo de enfermeiras assistenciais. 

ANÁLISE DAS INFORMAÇÕES COLETADAS 

Captar as estratégias defensivas que são elaboradas por um coletivo profissional não é tarefa fácil, porque, segundo Dejours, Abdoucheli e Jayet4:130, é necessário que o pesquisador construa uma relação intersubjetiva com os trabalhadores para ter acesso à realidade que envolve o mundo laboral desses sujeitos, pois, do contrário, fica muito difícil para o pesquisador apreender aspectos fundamentais dessa realidade “na medida em que os próprios trabalhadores esforçam-se por conter, ou mesmo ocultar, aquilo que é insuportável na própria realidade”. Inclusive, os autores asseveram que uma parte da ocultação é obtida a partir do interesse psíquico dos trabalhadores e de seu equilíbrio emocional. Eles acionam um mecanismo mental de ocultação do sofrimento e das estratégias defensivas numa tentativa inconsciente de proteção da subjetividade.

Assim, após a construção de uma relação intersubjetiva com as informantes, facilitando a apreensão da realidade e a captação de informações preciosas, profundas do ponto de vista subjetivo, foi possível identificar estratégias engendradas por esse coletivo. Além disso, a vivência de uma das autoras nesse ambiente laboral como enfermeira da instituição durante nove anos e depois como professora de campo de prática também foi de grande relevância para entender a complexidade e a dinâmica que envolve os meandros desse mundo laboral. As horas de observação dispensadas para o desenvolvimento do estudo, também vieram, de certa forma, confirmar o que havia sido apreendido ao longo da trajetória de vida e de investigação de uma das autoras dessa investigação. 

§   As estratégias defensivas elaboradas pelo coletivo de enfermeiras assistenciais.

A primeira estratégia coletiva de defesa apreendida foi denominada de “sobrevivência ao sofrimento através da solidariedade”. Existe uma articulação das profissionais de enfermagem que gera a cooperação, o companheirismo e a relação de ajuda, que protegem as enfermeiras de um sofrimento psíquico maior e mais patogênico. Selecionou-se, então a fala apresentada a seguir para exemplificar o exposto: 

Às vezes, eu não me sinto mais solitária porque tenho a solidariedade dos colegas, então a gente senta para conversar no almoço ou quando conversa pelo telefone. Essa solidariedade que existe dentro do grupo, porque é um grupo unido, aí a gente faz a nossa catarse ali – estamos no mesmo barco – essa questão da solidariedade faz com que a gente se sinta menos solitário. Enf. O 

As observações também serviram para confirmar a referida tática defensiva. Cita-se, então, um episódio numa unidade de clínica cirúrgica em que uma das autoras conversava com a enfermeira chefe da unidade sobre a possibilidade de lotar alunos do internato na referida clínica quando adentrou outra enfermeira. Esta abordou a colega acerca de seus sentimentos em relação à profunda falta de material que o hospital estava vivendo naquele momento, mostrando-se preocupada com a colega, já que ela sabia que a questão da carência de insumos a afetava muito, colocando-se disponível para emprestar-lhe material, para conversar, caso precisasse, para pensarem juntas possibilidades de minimizar os efeitos da referida insuficiência de material na assistência. Enfim, ali estava estabelecido um clima de solidariedade e de relação de ajuda.

Os sentimentos de indignação e de frustração gerados pela absorção de papéis e atribuições que não são da competência das enfermeiras, e que, por sua vez forçam os ritmos laborais e atingem duramente a subjetividade dessas profissionais fazendo-as vivenciarem o sofrimento psíquico, também levam esse coletivo profissional a engendrarem outro tipo de tática defensiva, a qual foi intitulada de “estratégia do limite”.  Assim foi denominada porque as enfermeiras declararam que precisam impor limites tanto para o volume de trabalho que lhes eram atribuídos decorrente da absorção de tarefas que não são da competência dessas profissionais, quanto para a capacidade de trabalho que seus corpos suportavam diante das demandas absurdas da produtiva. A enfermeira T expõe com clareza a existência dessa estratégia.

 

Chega um ponto em que você diz chega. Então eu dava conta de 10 pacientes para encaminhar para o raio X – agora acabou! Hoje eu só levo dois e os médicos estão sabendo. Eu queria deixar tudo cem por cento. Mas acabou, isso acabou. Eu só lamento porque cai a qualidade da assistência da enfermaria. Não faço porque eu estou vendo que as pessoas estão adoecendo, eu estou adoecendo e o resto continua bem. Enf. T

 

No trabalho de análise das entrevistas também se captou a “estratégia da agressividade”, na qual as enfermeiras desenvolvem uma forma peculiar de afastar, de rechaçar a aproximação de outros profissionais da saúde, que trazem mais trabalho, questionam ações e atitudes, solicitam as enfermeiras para mediar os conflitos, enfim, cobram-se condutas e informações dessas profissionais, resultando sempre em pressões na cadência laboral. Num coletivo profissional onde os ritmos comprovadamente são intensos, cuja organização do trabalho dificulta o modo operatório das enfermeiras, o caminho encontrado por elas para se resguardarem dos determinantes de sofrimento psíquico é engendrar tal estratégia. Pelo discurso da enfermeira Q pode-se evidenciar o exposto.

 

Eu acho que cada um tem as suas características, da sua natureza. Antigamente o meu mecanismo de defesa era a agressividade, então eu me tornava extremamente agressiva para que ninguém chegasse perto de mim para eu fazer as coisas. Enf. Q

 

A estratégia da agressividade também foi captada durante as observações de campo, entre uma enfermeira e um familiar do cliente internado. O familiar solicitou uma visita fora do horário de rotina estabelecido pela instituição a fim de entregar alguns pertences de uso pessoal ao doente. A enfermeira chefe de unidade quase não permitiu que o referido familiar se manifestasse, interrompendo inúmeras vezes sempre com a frase: “o senhor sabe que este não é o horário de visita”. Diante da insistência do familiar, ela mandou que ele entregasse rapidamente os mencionados pertences e saísse logo, pois caso contrário, chamaria o setor de segurança do hospital para colocá-lo para fora da enfermaria.

Quando questionada sobre o porquê da não flexibilização do acesso dos familiares aos doentes internados, já que muitos trabalham no horário de visita hospitalar, ela imediatamente respondeu que os familiares alteram a rotina, questionam tudo e ela estava muita ocupada para ficar atendendo a este tipo de situação. Assim, verificou-se que sua atitude era hostil à presença desse familiar, empregando então, a referida estratégia da agressividade para afastar aqueles que podem representar um potencial aumento de trabalho.

Outra estratégia percebida foi contra a monotonia e a repetitividade que geram sentimento de tédio no trabalho, a qual se denominou de “estratégia do uso do tempo no trabalho”. Assim, contatou-se que as enfermeiras procuram o que fazer, algo diferente, como criar uma ficha de admissão, reformular o ambiente físico, arrumar gavetas, promover limpeza geral de unidade, enfim, múltiplas atividades para afastar o sentimento de inutilidade, de enfado, de aborrecimento. A fala da enfermeira G ilustra tal análise:

 

Quando eu começo com essa sensação de monotonia, eu começo a sair por aí fazendo coisas, a cavucar coisas, a procurar, abrir as coisas, vou à manutenção e volto, aí eu olho aqui, faço um plano ali. Fico buscando coisas para fazer, para eu me sentir mais satisfeita ou menos insatisfeita e começo a correr atrás para não ficar para baixo. Enf. G

 

Outro comportamento coletivo defensivo captado através das entrevistas e das observações de campo foi a “estratégia das pausas no trabalho”. Essa estratégia defensiva serve para minimizar o sofrimento decorrente de um ambiente laboral sufocante, que mantém relações interpessoais difíceis, que expõe a enfermeira à dor e ao sofrimento da clientela sob seus cuidados, que a pressiona com acumulações de atribuições e ritmos elevados. A partir da fala apresentada abaixo, constata-se que essa tática é utilizada para diminuir os efeitos da organização laboral na subjetividade das enfermeiras:

 

Tomar café, depois vai lá embaixo fazer não sei o que. Eu lido melhor com isso, eu acho que é importante, se as pessoas tem que sair, deixa elas saírem, porque quando elas voltarem, voltam mais tranqüilas. E às vezes ajuda, porque tem pessoas aqui que tem essa necessidade de sair toda hora e é ótimo – “fulana, tem que pegar material...” E ela vai feliz, porque é o único momento que ela tem para fugir do que está acontecendo aqui. Enf. Q

 

Através da técnica de observação, foi possível captar situações que mostravam a existência dessa estratégia defensiva: a prática do café da manhã, em que enfermeiras vão para as unidades uma das outras participarem de lanches. Eles servem, inclusive, como evento social, pois, comemoram-se os aniversários do mês, por exemplo. As paradas para comprar mercadorias que são vendidas no interior do hospital ou da própria unidade por funcionários que sentem a necessidade de melhorar seus orçamentos através dessas vendas; as idas a outras unidades ou à chefia do serviço para conversar, tomar um cafezinho. Enfim, são práticas observadas que ajudam as enfermeiras a esquecer por uns momentos a realidade em que se encontram.

A estratégia das pausas no trabalho foi estudada e denominada a partir de pesquisas de Christophe Dejours1. O referido autor infere que as pausas são importantes para a renovação das energias psicossomáticas dos trabalhadores, propiciando a criatividade, a imaginação, enfim, potencializando a capacidade psico-cognitiva dos mesmos. Assim, a estratégia em questão pode ser uma via de eufemização do sofrimento e de proteção da subjetividade dos profissionais.

Muitas enfermeiras relataram lançar mão de táticas específicas contra a tensão no contexto laboral e contra potenciais conflitos interpessoais que deixam o ambiente pesado e fatigante. Denominei esse comportamento coletivo de “estratégia da brincadeira e da descontração”.  Gonzalez10, estudando o sentido do sofrimento na práxis da enfermagem, também identificou essa estratégia no cenário por ela investigado, asseverando que essa estratégia caracteriza-se como sendo uma tentativa de eufemizar o sentimento de desprazer e de fadiga decorrente do trabalho assistencial. Segundo a autora10:177, “o combate ao desprazer e à  fadiga é  oportunizado pelas brincadeiras, piadas na hora do lanche e do café, pequenas ausências para uma conversa com um amigo, que são as formas de desvio permitidas na busca do prazer dentro do trabalho da enfermagem.”

O depoimento da enfermeira E revela o uso dessa estratégia no coletivo de trabalho.

 

Quando o ambiente está muito tenso, as pessoas estão caladas, mal humoradas, eu começo a conversar, a contar coisas engraçadas, fazer brincadeiras com os membros da equipe, arrumar namorado para as “encalhadas”, falar coisas divertidas que aconteceram comigo e os pacientes e assim vai, no final sinto que aliviou. Enf. E

 

Contra o sofrimento decorrente das relações de poder extremamente demarcadas no ambiente hospitalar, que tolhe a autonomia das enfermeiras e as leva à lutas veladas por maior participação nas decisões referentes ao trabalho em saúde, verificou-se então, que existe uma tática específica, como tentativa de minorar o desgaste psíquico advindo dessa situação, a qual chamou-se de “estratégia contra hegemônica”. Essas lutas estão mais direcionadas à figura do médico, pois é ele quem detém a hegemonia do processo laboral em saúde e, por isso, tem o reconhecimento, o prestigio, a valorização e as melhores condições de trabalho.

Para caracterizar a existência dessa estratégia, selecionou-se um fragmento do discurso da enfermeira R. Através dessa estratégia é possível lidar com a falta de autonomia profissional, do pouco reconhecimento social da profissão, eufemizando assim, o sofrimento psíquico.

 

A relação com a equipe de enfermagem é muito boa, mas com a equipe médica é muito ruim. Eu sinceramente não consegui trabalhar isso ainda, essa é uma coisa que eu estou buscando, já foi muito pior, mais ainda tem que melhorar muito. Porque eu tenho um nível de exigência muito maior com o médico do que com o auxiliar. A minha tolerância é muito maior com o auxiliar, até porque a gente está vendo o quanto ele trabalha e o médico nem tanto assim. Até porque ele tem um nível cultural diferente, ele estudou mais tempo, ele se acha o líder da equipe de saúde como um todo, mas não demonstra isso com atitudes, então não te ouve, não te faz participar das decisões, da alta, por exemplo, do doente que você acha que não pode ter alta e assim vai, por isso eu bato de frente. Enf. R

 

Referente às vivências com a hierarquia superior da enfermagem, que se caracterizaram como autoritárias e algumas vezes retaliativas11 identificou-se uma estratégia denominada de “estratégia do silêncio”. Depreendeu-se que não é prudente expor concepções, opiniões, acepções que sejam contrárias à política e à filosofia profissional do grupo de enfermagem que se encontra no poder. O ideal é que se mantenha o silêncio ou que se exponham idéias de forma velada, pois, dessa forma, é possível que as enfermeiras se resguardem contra o sofrimento de verem suas escalas modificadas, de serem trocadas de unidades, ou de terem o quantitativo de pessoal pouco privilegiado diante do montante das outras unidades. Selecionou-se uma fala que revela essa situação:

 

Fui numa reunião em que as pessoas não se manifestavam, eu me manifestei e por eu ter me manifestado eu fui castigada. Então isso é que para mim é pior: você ser obrigado a ser passivo, a ser omisso, você se calar. Aí eu percebi que as pessoas, é uma necessidade de sobrevivência das pessoas, precisam ficar caladas, até mantendo o interesse pessoal delas. Eu até compreendo, só que para mim não faz minha cabeça. Enf. T

 

Observando o processo eleitoral do hospital em questão, que prever a eleição dos cargos que compõem a hierarquia superior da Enfermagem prevista no Regimento Interna da Coordenadoria de Enfermagem, constatou-se que muitas enfermeiras não querem apoiar publicamente seus candidatos, muitas vezes fazendo campanhas políticas de forma disfarçada, apenas nos locais onde “confiam”. Quando questionadas do por quê dessa falta de ativismo político, de um envolvimento mais marcante nos debates dos candidatos, da falta de expressividade e de demonstração de predileção por algum candidato; atitudes comuns num processo que se diz democrático, muitas responderam ter medo de sofrer retaliações profissionais caso o grupo ou o candidato que apoiaram publicamente não vencesse. Então, através dessa experiência observada, foi possível reforçar a concretude dessa estratégia defensiva.

As condições adversas de trabalho; a organização do trabalho hospitalar pouco racional; o sucateamento dos salários e das instalações físicas; a falta de pessoal e de material; enfim, diversos determinantes que parecem intransponíveis, e que, conforme analisa Dejours12, imobilizam o trabalhador originando sentimentos de desânimo geram igualmente comportamentos defensivos. Investigando essa situação, emergiu das entrevistas a “estratégia da descrença e da desmotivação”. O depoimento da enfermeira T evidencia a existência dessa estratégia defensiva.

 

Cada dia que passa é pior e eu não tenho mais esperança de melhora. Eu acho que eu e a metade das pessoas aqui dentro. Enf. T

 

Dejours, Abdoucheli e Jayet, 4:22 analisando os efeitos da organização laboral na dimensão subjetiva dos trabalhadores, discorreram sobre um fenômeno mental, ao qual chamaram de “presenteísmo”, caracterizado pelos autores como sendo “um engajamento excessivo a uma tarefa por certos trabalhadores, do qual ninguém seria capaz de atenuar o ardor desencadeado”. Estudando a dinâmica do trabalho das enfermeiras observou-se que existiam algumas enfermeiras que sempre chegavam bem antes de seu turno de trabalho iniciar e por sua vez, iam embora bem depois do horário previsto para a saída. Estavam sempre dispostas a ajudar, a transformar, envolvidas em algum projeto inovador, procurando situações para melhorar o contexto, acreditando na missão do hospital e idealizando constantemente uma “nova” Enfermagem. Tal comportamento se aproxima do “presenteísmo”, dessa forma, identifiquei que esse proceder é uma tática do coletivo de enfermagem para não desmotivar, não esmorecer diante das dificuldades e sucumbir aos sentimentos de descrença, de desmotivação e de resignação. Denominei esta tática coletiva de “estratégia do ativismo”. Ela também foi apreendida nas entrevistas.

 

Porque se fosse só às mil maravilhas, a gente nem buscava, porque o que é interessante para a gente, é a busca, a busca do melhor, a busca de atender melhor, a busca de descobrir, que é eterno. Se fosse tudo maravilhoso, se você tivesse material, pessoal, relacionamentos às mil maravilhas, que você nunca vai ter, porque você é incapaz de se relacionar o tempo inteiro às mil maravilhas... É justamente essa busca que te dá vontade de continuar, é exatamente esse grande potencial de dificuldades que você tem que superar todos os dias que te faz buscar, que te faz se envolver. Enf. Z

 

Uma estratégia defensiva verificada e similar aos achados das pesquisas de Menzies13 e de Pitta14, foi a tática engendrada pelo coletivo de enfermeiras para se proteger da dor, do sofrimento, da morte e da impotência diante da doença dos clientes sob seus cuidados. Esta foi denominada de “estratégia do distanciamento”. Ela perpassa a necessidade da enfermeira de manter certo distanciamento a fim de desenvolver suas atividades sem correr o risco de ficar incapacitada de desempenhá-la pelo envolvimento emocional estreito com a clientela. 

Através da fala da enfermeira J exposta a seguir, pode-se depreender a existência dessa estratégia coletiva de defesa:

 

Eu acho também que esse fato de eu querer ter me voltado para a administração é uma forma que eu achei de escapar do paciente grave. Então eu não me envolvo muito com aquele cliente. Eu sei que eu estabeleço uma relação, mas a partir do momento em que ele está agravando, aí eu sei que é outra colega que vai assistir, aí eu já estou um pouquinho mais do lado de fora, não estou mais tão inserida naquela assistência. Eu sou muito sensível, então eu chorava, mas vi que isso não estava dando certo porque eu levava essas coisas para casa. Aí eu consegui me esquivar dessa forma, não foi nada proposital não. Enf. J

 

Algumas observações validaram a existência dessa estratégia. Cita-se um exemplo experenciado durante o trabalho de campo e que caracteriza o referido distanciamento da equipe acerca da proximidade e vivência da morte do cliente considerado fora terminal. Quando o cliente agrava e fica fora de possibilidades terapêuticas, imediatamente coloca-se um biombo para isolá-lo, que segundo o senso comum na área da saúde, é para não chocar os outros pacientes com a visão de um “moribundo”. No entanto, também percebo que é um “paliativo” para a própria equipe, para reduzir a visão, o contato com a impotência diante de uma doença incurável, diante da morte que é algo desconhecido e, portanto, aterrorizador para alguns. Dessa forma, isola-se o doente e distancia-se a equipe do quadro de sofrimento do doente. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Os trabalhadores, experimentando um sofrimento individual e subjetivo, são capazes de unir esforços para neutralizar o sentimento de sofrimento decorrente das vivências do trabalho, construindo, então, as estratégias coletivas de defesa. Essas táticas não têm o poder de transformar a organização laboral que engrenda o sofrimento psíquico, elas apenas minimizam ou suavizam a percepção do mesmo, como se fossem anestésicos para as sensações mentais negativas. Segundo Dejours, Abdoucheli e Jayet, 4:128, essa possibilidade de transformar a rigidez de uma organização de trabalho via estratégias coletivas de defesa não ocorre porque “a operação que os trabalhadores fazem é estritamente mental” não podendo, assim, “modificar a realidade da pressão patogênica”.

Constatou-se que as referidas estratégias podem ser táticas interessantes contra o sofrimento porque permitem às enfermeiras continuar trabalhando sem adoecerem física e psiquicamente, isto é, resistindo às pressões da organização laboral sem sucumbirem a processos patológicos clássicos. Mas, por conseguinte, podem se caracterizar num fator que resulta em alienação, mascarando a compreensão real do contexto de trabalho, impedindo ou dificultando a visualização dos fatores geradores de sofrimento patogênico, tirando a capacidade crítica que possibilita a reflexão do como, do porquê e de que modo se dá determinado fenômeno para, assim, adquirir subsídios para modificá-lo. Além disso, as estratégias também podem neutralizar ações que visem modificar uma organização de trabalho distorcida, uma vez que elas originam uma acomodação, uma pseudo-adaptação, portanto, por que transformar se parece estar tudo bem, se a rotina laboral segue sem maiores intercorrências? Logo, tais estratégias podem resultar numa percepção irreal da realidade devido a um processo de alienação coletiva.

 

As estratégias defensivas são necessárias para a continuação do trabalho e adaptação às pressões para evitar a loucura, em contrapartida elas contribuem para estabilizar a relação subjetiva com a organização do trabalho, no estado em que ela se encontra e alimentar uma resistência à mudança4:130.

 

Assim, diante dos resultados captados através dessa pesquisa, considera-se interessante a elaboração de outras pesquisas envolvendo o estudo das estratégias de defesa frente a alguns pontos específicos, por exemplo: o potencial que as estratégias defensivas podem ter para gerar alienação no coletivo profissional; a investigação de trabalhadores que não aderem as estratégias coletivas e suas repercussões no processo saúde-doença, ou nos seus desempenhos profissionais. Enfim, existe uma série de objetos de estudos extremamente relevantes que ajudarão a entender a complexidade da relação trabalho-subjetividade e saúde.  

REFERÊNCIAS 

1. Dejours C. A loucura do Trabalho: um estudo de psicopatologia do trabalho. São Paulo: Cortez-Oboré; 1992. 

2. Sampaio JJC, Hitomi AAH, Ruiz EM. Saúde e Trabalho: uma Abordagem do Processo e jornada de trabalho. In: Codo W, Sampaio JJC. Sofrimento Psíquico nas Organizações: Saúde Mental e Trabalho. Petrópolis: Vozes; 1995. Cap. 4. p. 65 - 84. 

3. Seligman-Silva E. Desgaste mental no trabalho dominado.  Rio de Janeiro: UFRJ / Cortez; 1994. 

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14. Pitta A. Hospital – dor e morte como ofício. São Paulo: Hucitec;1994. 

CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES: Norma Valéria Dantas de Oliveira Souza - Concepção e desenho; Pesquisa bibliográfica; Coleta de Dados; Análise e interpretação; Escrita do artigo; Revisão crítica do artigo; Aprovação final do artigo.
Marcia Tereza Luz Lisboa – Pesquisa bibliográfica; Escrita do artigo; Revisão crítica do artigo; Aprovação final do artigo; Orientadora.
Élissa Jôse Erhardt Rollemberg Cruz - Escrita do artigo; Revisão crítica do artigo.

ENDEREÇO PARA CORRESPONDÊNCIA: Norma Valéria Dantas de Oliveira Souza - Rua Alexandre do Nascimento nº 45 apto 201 – Jardim Guanabara – Ilha do Governador – Rio de Janeiro - RJ. CEP: 21940-150. Telefones: 3393-9856 / 9994-4690. e-mail: normadsouza@terra.com.br.
Marcia Tereza Luz Lisboa – Rua Humaitá nº 12 apto 401 – Humaitá – Rio de Janeiro - RJ. CEP:22261-001. Telefones: 2539-3890 / 9691-0087. e-mail: marcialis@terra.com.br .
Élissa Jôse Erhardt Rollemberg Cruz – Avenida Meriti nº 976 apto 101 – Vila da Penha – Rio de Janeiro - RJ . CEP: 21220-201. Telefones: 2482-9130 / 9877-9067. e-mail: elissa_enf@yahoo.com.br.

Received Jun13, 2007
Revised Sep 11 2, 2007
Accepted Sep 28, 2007