Online braz j nurs

Fast HIV screening test for parturients: a quantitative study

 Teste rápido para triagem do HIV em parturientes: um estudo quantitativo

 

Aparecida Neuritianny Chaves Gondim1, Amanda Souza de Oliveira1, Ana Carolina Maria Araújo Chagas1, Paula Renata Amorim Lessa1, Bartira Nunes Barbosa1, Ana Kelve de Castro Damasceno1

 1 Universidade Federal do Ceará, CE, Brasil

Abstract: The importance of premature detection of HIV in pregants lies in the fact that vertical transmission is the main source of infection in infants. The present study aims to verify the frequency and the result of the fast test for the detention of HIV in women in labor of a Municipal Maternity of Fortaleza. Descriptive, documentary and retrospective study with quantitative approach held in the District Hospital Gonzaga Mota. The data was collected during October of 2007 the March of 2008. The sample was selected according to the systematization of the registered material of the obstetric center concerning the accomplishment of the fast test and consisted of all the women who took the test form October of 2003 to March of 2008. The data were systemized according to a structured script and analyzed through the program SPSS 15.0. 4283 parturients were submitted to the fast test, in which 18 (0.42%) were positive, and it was observed a greater percentile of the infection in women between the ages of 25 to 35 (6; 0,14%). It may be highlighted that a great number of parturients were not tested for HIV during the prenatal care. So, this shows that the value of the fast test in the delivery room is unquestionable, filling a gap left by prenatal assistance and making possible the implementation of prophylactic measures as premature as possible, in order to reduce the infant’s possible infection.

Keywords: Obstetrics; HIV; Vertical Transmission of Infectious Disease.

Resumo: A importância na detecção precoce do HIV em gestantes reside no fato da transmissão vertical ser a principal via de infecção na população infantil. Sendo assim, o presente estudo tem como objetivo verificar a ocorrência da realização e o resultado do teste rápido para a detecção do HIV em parturientes de uma Maternidade Municipal de Fortaleza. Estudo descritivo, documental e retrospectivo com abordagem quantitativa realizado no Hospital Distrital Gonzaga Mota.  A coleta de dados foi realizada no período de outubro de 2007 a março de 2008. A amostra foi selecionada conforme a sistematização do material de registro do centro obstétrico acerca da realização do teste rápido, compreendendo todas as mulheres que realizaram o exame no período de outubro de 2003 a março de 2008. Os dados colhidos foram sistematizados seguindo um roteiro estruturado e analisados no programa SPSS 15.0. Foram submetidos ao teste rápido 4283 parturientes, destas, 18 (0,42%) apresentaram resultado positivo, Observando-se um maior percentual da infecção em mulheres na faixa etária de 25 a 35 anos (6; 0,14%). Evidencia-se, dessa forma, um número expressivo de parturientes que não foram testadas para o HIV durante o pré-natal. Sendo assim, o valor do teste rápido na sala de parto é inquestionável, preenchendo uma lacuna deixada pela assistência pré-natal e possibilitando a implementação de medidas profiláticas o mais precocemente possível, a fim de reduzir a infecção do concepto.

Palavras-chave: Obstetrícia; HIV; Transmissão Vertical de Doença Infecciosa.

 

INTRODUÇÃO

A atenção voltada à saúde da mulher tem sido repensada politicamente nos últimos anos, porém a assistência de forma integral preconizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ainda é um desafio a ser alcançado. Para contribuir com esse avanço, torna-se necessária uma avaliação constante das medidas implantadas na assistência à mulher, principalmente, na redução dos índices de morbimortalidade materna, considerando-se sua relevância como um indicador positivo de avaliação das condições de saúde da população.

A questão da morbimortalidade materna e perinatal no contexto atual ainda é uma realidade preocupante. Em países desenvolvidos, como Canadá e Estados Unidos, a média é de 10 óbitos por 100 mil nascidos vivos. Em países da América Latina, como o Brasil, Argentina, Chile e Cuba, a média quadruplica, aumentando para 40 óbitos por 100 mil nascidos vivos. A média nacional brasileira é de que ocorram anualmente 1.600 óbitos de mulheres por complicações da gravidez, parto e puerpério, sem levar em consideração os casos camuflados pela subnotificação1.

A mortalidade por AIDS alcança os diversos segmentos da sociedade, independente do sexo, idade ou classe social2. Aproximadamente 50% dos portadores do vírus HIV em todo o mundo são mulheres. A vulnerabilidade feminina tem se desenvolvido historicamente em um amplo contexto no qual a mulher está inserida, envolvendo fatores econômicos, educacionais, sócio-sexuais e, principalmente, culturais3.

A maior concentração de casos da referida doença no universo feminino situa-se na faixa etária de 20 a 40 anos com 7.012 (86,8%) casos notificados. A disseminação da Aids que acomete mulheres em idade reprodutiva resultou em um aumento da infecção por HIV em menores de 13 anos devido à transmissão vertical. De 1983 a 2008 foram detectados no Ceará 227(3%) crianças nessa faixa etária infectadas pelo HIV4.

Referente à população gestante, foram notificados, de 2000 a 2008, 1.060 casos de infecção pelo HIV em 86 municípios cearenses. Desses, 86% tiveram a sua sorologia detectada antes ou durante o pré-natal. A porcentagem de infecção por essa via no Ceará (83,4%) é semelhante à média nacional (83,7%). A importância na detecção precoce do HIV em gestantes reside no fato da transmissão vertical ser a principal via de infecção na população infantil. Além disso, ressalta-se que a detecção e a adoção de medidas profiláticas e terapêuticas podem diminuir os riscos de transmissão vertical para índices inferiores a 2%4.

Dessa forma, no ano de 2000, o Ministério da Saúde instituiu o Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento com o propósito de assegurar a melhoria do acesso, da cobertura e da qualidade do acompanhamento pré-natal, da assistência ao parto e puerpério às gestantes e ao recém-nascido, na perspectiva dos direitos de cidadania, estabelecendo como prioridade a diminuição das taxas de morbimortalidade materna, peri e neonatal registradas no país5.

Na continuidade da melhoria da assistência ao binômio mãe-filho e levando em consideração a transmissão vertical de doenças, o Ministério da Saúde aprovou em 2002 o Projeto Nascer6, tendo como finalidade reduzir a transmissão vertical do HIV e a morbimortalidade associada à sífilis congênita. Dentre os objetivos específicos destacam-se: oferecer testagem para o HIV no período pré-parto imediato, com consentimento informado da gestante após aconselhamento; realizar a cobertura de 100% das parturientes que não tenham realizado este exame durante o pré-natal; garantir medidas profiláticas de transmissão do HIV para 100% das parturientes HIV positivas, oferecendo seguimento especializado às mesmas e seus recém-natos; além de testar para a sífilis 100% das parturientes, garantindo o tratamento adequado.

Diante do contexto, a assistência de enfermagem revela-se de fundamental importância na garantia da qualidade de vida da família na tentativa de minimizar problemas que poderiam comprometer a saúde da mulher e do binômio mãe-filho. A captação precoce das gestantes no pré-natal, sem dúvida, será o ponto de partida para a atuação do enfermeiro como educador, fornecendo informações referentes ao ciclo gravídico-puerperal, estimulando a participação, a tomada de decisão e atitude, favorecendo, assim, o autocuidado7.

Portanto, o presente estudo justifica-se pela necessidade de analisar e avaliar a qualidade da assistência prestada à mulher gestante, tendo como referência as medidas preconizadas pelo Ministério da Saúde acima descrita. O mesmo subsidiará uma reflexão acerca desse processo, bem como um redimensionamento da assistência da enfermagem.  Sendo assim, o estudo tem como objetivo verificar a ocorrência da realização e o resultado do teste rápido para a detecção do HIV em parturientes de uma Maternidade Municipal de Fortaleza.

 

METODOLOGIA

Estudo quantitativo, descritivo, documental e retrospectivo realizado em um hospital público no Ceará, unidade de nível secundário.  O centro obstétrico da referida instituição apresenta uma sala de pré-parto com quatro leitos, uma sala estruturada para realizar dois partos simultâneos e 26 leitos de clínica obstétrica.

Os sujeitos do estudo foram todas as parturientes submetidas ao teste rápido para detecção da presença de anticorpos para triagem do HIV no período de outubro de 2003 a março de 2008. Foram excluídos os testes realizados em pacientes de outras clínicas, registrados na sala de parto. Assim, a amostra foi selecionada conforme a sistematização do material de registro do centro obstétrico acerca da realização do teste rápido, perfazendo um total de 4.283 parturientes.

 A coleta de dados foi realizada no período de outubro de 2007 a março de 2008. Os dados colhidos foram sistematizados e descritos seguindo um roteiro que respondesse ao objetivo da pesquisa. Os mesmos foram analisados no programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 15.0 e embasados na literatura pertinente.

O estudo foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Ceará (UFC) de acordo com a resolução 196/96 do Conselho Nacional de Pesquisa no que refere sobre pesquisas sobre seres humanos8 sob o parecer N.º 240/07.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

No gráfico a seguir, descreve-se o número de parturientes submetidas ao teste rápido anti-HIV realizados por ano na maternidade do presente estudo.

 

Gráfico 1: Número de testes rápidos anti-HIV realizados em parturientes de 2003 a 2008. Hospital público. Out. /2007 – Mar. /2008, Fortaleza-Ceará. 2008.

A partir do gráfico 1, pode-se observar que o ano de 2006 foi o que mais se realizou teste rápido anti-HIV com um total de 1165 testes, somando os resultados positivos e negativos. Em seguida, aparece o ano de 2007 com 973 testes, 2005 com 917 e 2004 com 667. Em 2003 foram realizados 388 testes rápidos anti-HIV e em 2008 realizou-se 166 testes, porém deve-se atentar que nestes dois anos há um menor número de realização dos testes devido ao período de corte do estudo, que se dá de outubro de 2003 a março de 2008.

Em relação à positividade do teste, do total de 4.283 parturientes testadas foram detectados 18 (0,42%) casos positivos, sendo três casos ocorridos em 2003, três em 2004, quatro em 2005, dez em 2006, três em 2007 e não foi registrado nenhum caso em 2008.

O teste rápido anti-HIV está indicado para gestantes no final da gravidez, internadas para tratamento de patologias clínicas ou obstétricas; parturientes que não tenham realizado este exame durante o pré-natal; puérperas e exposição ocupacional com risco de transmissão do HIV6. Sendo assim, a realização do teste rápido nas maternidades apresenta-se como um dos indicadores do processo para avaliação na qualidade da assistência pré-natal.

Dessa forma, conforme é preconizado pelo Ministério da Saúde6 realizaram o teste rápido anti-HIV na maternidade em estudo todas as parturientes que, porventura, não haviam sido testadas para o HIV no pré-natal ou que não apresentavam documentos que comprovassem o resultado do teste realizado anteriormente. Assim, o alto número de parturientes (4283) que realizaram o teste rápido durante o estudo, revela-nos uma assistência pré-natal deficiente, na qual grande número de mulheres chega ao parto sem saber se são portadoras do vírus HIV. Com base nisso, os dados deste estudo demonstram uma maior tendência de em 2006 ter havido uma cobertura pré-natal deficiente no que diz respeito à realização do teste anti-HIV.

Apesar dos testes e das medicações profiláticas utilizadas para reduzir as taxas de transmissão vertical estarem disponíveis nos serviços de saúde, a cobertura pré-natal ainda é inferior à desejada no que se refere à oferta regular dos exames laboratoriais e, em especial, ao exame anti- HIV 1 e 2. A ineficiência da cobertura pré-natal que pode ser traduzida, dentre outros aspectos, pelo reduzido número de testes realizados para a detecção do vírus HIV em gestantes (abaixo de 40%) e pela alta porcentagem de casos de Aids em menores de 13 anos através da transmissão vertical (90%), foram determinantes para que o Ministério da Saúde lançasse através da portaria nº. 2.104 de 2002 o Projeto Nascer – Maternidades6.

O valor da realização do teste rápido reside não somente pelo conhecimento do diagnóstico da infecção por HIV, mas na possibilidade de introdução precoce da terapia anti-retroviral. A sua utilização revelam, em termos, falhas da cobertura pré-natal na prevenção da transmissão materno-infantil3. A ausência da realização do exame para a detecção do HIV durante o pré-natal e de documentação que comprove o resultado dos exames realizados ao longo da gestação comprometem a redução na transmissão do HIV da mãe para o feto. Dessa forma, o teste rápido supre as necessidades de uma assistência pré-natal inadequada, contribuindo para um tratamento satisfatório do binômio mãe-filho durante o trabalho de parto e parto9.

Na tabela 1, verifica-se a faixa etária das parturientes submetidas ao teste e a frequência de resultados dos testes rápidos.

 

Tabela 1: Distribuição da associação entre a idade das parturientes submetidas ao teste e resultado do teste rápido. Hospital público. Out. /2007 – Mar. /2008, Fortaleza-Ceará. 2008.

                                                Resultado do Teste rápido

 

Idade

Positivo

Negativo

Ignorado

Total

 

N

%

N

%

N

%

N

%

Menor de 15 anos

2

0,05

54

1,3

-

-

56

1,3

15-19 anos

3

0,07

968

22,6

2

0,05

973

22,7

20-24 anos

3

0,07

1299

30,3

5

0,12

1307

30,5

25-29 anos

4

0,09

946

22,1

1

0,02

951

22,2

30-35 anos

2

0,05

627

14,6

1

0,02

630

14,7

36-50 anos

4

0,09

281

6,6

1

0,02

286

6,7

Ignorado

-

-

78

1,8

 2

0,05

80

1,9

Total

18

4253

12

4283

 

Quanto à distribuição dos resultados positivos em parturientes segundo a faixa etária, percebe-se um maior percentual da infecção em mulheres na faixa etária de 25 a 35 anos (6; 0,14%). Esta informação condiz com os dados do Projeto Nascer6 e com um estudo realizado em Fortaleza que objetivou avaliar as ações de controle da transmissão vertical do HIV em uma maternidade pública10. Tais estudos ressaltam um maior percentual da infecção em mulheres na faixa etária entre 25 e 34 anos e de 22 a 29 anos, respectivamente.

A partir da verificação da tabela 1, destaca-se a quantidade de parturientes menores de 15 anos (56; 1,3%), representando uma média de 9,3 parturientes dentro dessa faixa etária a cada ano entre 2003 e 2008. Um dado que merece ainda mais atenção é que duas delas (0,05%) obtiveram resultado positivo para o HIV. Estes achados refletem problema que vem se agravando nos últimos anos na sociedade, que é a gravidez na adolescência e o acometimento dessa população pelas DST/Aids.

Calculando a prevalência da infecção na maternidade em estudo, temos 4,2 casos em 1000 parturientes submetidas ao teste. Este dado é corroborado pelo estudo realizado em Sergipe que tinha como um dos objetivos determinar a prevalência da infecção pelo HIV nas usuárias atendidas pelo SUS entre janeiro de 2003 a março de 2004, cuja prevalência encontrada foi de 0,42%, sendo semelhante à média nacional e à média do presente estudo11.

A prevalência da infecção pelo HIV em gestantes no Brasil é de 0,41%12, variando entre algumas regiões. A região sudeste apresenta o maior número de casos de gestantes infectadas pelo HIV; a região norte o menor número (2095). O Nordeste ocupa a terceira posição com 6091 mulheres infectadas durante o período gestacional13.

Atualmente, no Brasil a prevalência da infecção pelo HIV caiu para 0,4%. Esta diminuição da prevalência é reflexo de uma atuação governamental visando à prevenção da transmissão vertical do HIV desde a década de 90, com a introdução da terapia antirretroviral em gestantes infectadas pelo HIV, além da disponibilização de insumos para profilaxia da transmissão vertical do vírus14.

Tais ações sofreram forte impulso com a instituição do Projeto Nascer – Maternidades, que apresenta como ações principais: “a capacitação de equipes multiprofissionais em acolhimento, aconselhamento, utilização de testes rápidos, manejo clínico de parturientes HIV positivas e crianças expostas, testagem e indicação terapêutica para sífilis e vigilância epidemiológica” 6. No que se refere ao cumprimento das medidas preconizadas pelo Projeto Nascer, a maternidade em questão afirma segui-la, realizando o acolhimento e aconselhamento pré-teste, antes de realizar o teste rápido, e pós-teste, explicando e esclarecendo sobre a patologia em questão e a importância de se realizar o teste de detecção de anticorpos, além de seguir a terapêutica indicada para os devidos casos6.

As intervenções e orientações realizadas pelos profissionais são de fundamental importância para a redução da transmissão vertical, entretanto, mostrou-se em um estudo realizado em uma maternidade pública de Fortaleza cujo objetivo era avaliar o atendimento das ações de controle da transmissão vertical da imunodeficiência humana que a atuação dos profissionais não contemplou integralmente as recomendações para a transmissão vertical15.

Outro aspecto observado neste estudo e que merece ser destacado se refere à subnotificação e o preenchimento inadequado das informações, por se apresentarem como um entrave que compromete a análise dos dados e a sua evolução temporal16. Na tabela 1, percebemos 12 casos ignorados, devido a, durante a coleta de dados no livro de registros dos testes rápidos da maternidade, ter-se verificado a presença de informações incompletas, ilegíveis ou a ausência das mesmas. Este fato é referido por outras pesquisas como um entrave que compromete a análise e notificação dos casos bem como na mobilização de estratégias e insumos por parte dos governos11, 17, 17.

Ao longo deste estudo, foi observado ainda que o livro de registros apresentava períodos de não-realização do teste por falta de material. A disponibilidade insuficiente de exames também foi comentada em um estudo em realizado em Sergipe que objetivava avaliar a prevalência do HIV nas parturientes de maternidades do município vinculadas ao SUS, pela utilização do teste rápido11. Tal achado é de grande relevância, visto ser este o único momento em que as mulheres, muitas vezes as mais vulneráveis à infecção, terão acesso ao aconselhamento, à realização do teste e ao tratamento quimioprofilático, apesar de não ser esta a ocasião mais propícia6.

 

CONCLUSÃO

           O estudo evidenciou uma média de infecção pelo HIV em parturientes de 0,42%, sendo semelhante à apresentada por outros estudos e à média estimada nacionalmente. Dessa forma, é de fundamental importância que as medidas implantadas no cotidiano de assistência à mulher continuem sendo investigadas e avaliadas a fim de que a qualidade de vida da população seja garantida pelos serviços de saúde.

         Um fato observado e que merece destaque é a corroboração de outros estudos no que se refere ao comprometimento da qualidade da assistência pré-natal. A quantidade de mulheres que chegaram à maternidade em trabalho de parto sem terem realizado anteriormente o teste para detecção de HIV é bem maior que o desejado. Cabe aos profissionais de saúde prestadores de assistência à saúde da mulher buscar junto aos órgãos governamentais políticas públicas que efetivem a disponibilização de materiais, programas de capacitação, propiciem aos laboratórios trabalharem de forma eficaz na realização e entrega dos resultados dos exames e que somem esforços no intuito de conscientizar as pacientes a retornarem para receber o resultado do teste.

         Dessa forma, o valor na utilização do teste rápido para HIV na sala de parto é inquestionável. Além de preencher uma lacuna deixada pelo atendimento pré-natal, a sua realização minimiza os problemas referentes à questão da janela imunológica bem como uma nova exposição. Vale salientar que, até a finalização do presente estudo, o teste só era oferecido para as parturientes que não o tinham realizado durante o pré-natal. Atualmente, houve uma mudança nessa configuração de forma que o teste é ofertado independentemente de ter sido realizado no pré-natal, como já era rotina na referida maternidade em relação ao teste para detecção da sífilis, realizado em todas as mulheres. Tal fato é um grande avanço no que se refere à minimização da transmissão vertical, pois, como geralmente o teste é ofertado na primeira consulta de pré-natal, há um longo período durante a gestação em a mulher corre o risco de ser contaminada. Realizando-se o teste por ocasião do parto, reforçam-se as chances de uma detecção precoce e a tomada de medidas imediatas para que não haja a transmissão vertical.

         Finalmente, o comprometimento profissional deve ser reforçado em todos os casos, seja na realização dos procedimentos, em sua avaliação ou mesmo na notificação dos casos, para que sejam evitados problemas como a subnotificação e o preenchimento de formulários de forma inadequada conforme comentados em outros trabalhos e encontrados no presente estudo, já que tais problemas podem interferir na efetivação de políticas públicas que busquem melhorar os serviços na área da saúde.

         Dessa forma, estudos como este que tencionam investigar a implementação de medidas governamentais, o cotidiano das práticas profissionais, bem como a epidemiologia de determinadas patologias, deverão ser vistos de forma satisfatória e estimulados em sua realização pela importância que exercem para a saúde da população.

 

REFERÊNCIAS

1.                Ceará. Secretaria da Saúde. Núcleo de Vigilância Epidemiológica. Informe Epidemiológico – Mortalidade Materna. Fev./2008. Disponível em: <http://www.saude.ce.gov.br/internet>. Acesso em 24/jul /2008.

2.                Reis AC, Santos EM, Cruz MM. A mortalidade por AIDS no Brasil: um estudo exploratório de sua evolução temporal. Epidemiol. Serv. Saúde 2007 jul/set; 16(3): 195-205.

3.                Morimura MCR, Mendes MDC, Souza AI, Alencar LCA. Freqüência de testagem rápida para o HIV durante a admissão para o parto em puérperas no Instituto Materno Infantil Prof. Fernando Figueira, IMIP. Rev. Bras. Saúde Matern. Infant. 2006; 6(supl 1): S69-S76.

4.                Ceará. Secretaria da Saúde do Estado. Informe Epidemiológico – Aids. Ago./2008. Disponível em: <http://www.saude.ce.gov.br/internet>. Acesso em 24 /jul/2008.

5.                Brasil. Ministério da Saúde. Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento. Brasília: Ministério da Saúde, 2000.

6.                Brasil. Ministério da Saúde. Programa Nacional de DST e AIDS. Projeto Nascer. Brasília, 2003. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/projeto_nascer.pdf>. Acesso em: 19/mai/2008.

7.                Rodrigues DP, Silva RM, Fernandes AFC. Ação Interativa Enfermeiro-Cliente na Assistência Obstétrica. Rev. Enferm UERJ 2006 abr/jun; 14(2): 232-238. 

8.                Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Comissão Nacional de Ética em Saúde. Normas para pesquisa envolvendo seres humanos. (Res. CNS nº 196/96 e outras). 2ª ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2003.

9.                Araújo CLF, Lins S, Bastos VD. O teste rápido para HIV em maternidades: visão dos profissionais de saúde. DST - J bras Doenças Sex Transm. 2009; 21(2): 71-77.

10.            Barroso L.Galvão M. Evaluation of the actions of control the vertical transmission of the HIV in a public maternity in Fortaleza-Ceará Online Brazilian Journal of Nursing [serial on the Internet]. 2007 October 14; [Cited 2010 jun 26]; 6(3): Available from: http://www.objnursing.uff.br/index.php/nursing/article/view/1148

11.            Lemos LMD, Gurgel RQ, Fabbro ALD. Prevalência da infecção por HIV em parturientes de maternidades vinculadas ao SUS. Rev. Bras. Ginecol. Obstet. 2005; 27(1): 32- 36.

12.            Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST e AIDS. Protocolo para a prevenção de transmissão vertical de HIV e sífilis. Brasília, 2007. 180p. (Série Manuais).

13.            Brasil. Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico de AIDS e DST. 2010; 6(1): 1-67.

14.            Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST e AIDS. Programa Nacional de DST e AIDS. Recomendações para profilaxia da transmissão Vertical do HIV e Terapia Anti-Retroviral em Gestantes. Brasília, 2006. 81p. (Série Manuais). Disponível em: <http://portal.saude.sp.gov.br/resources/profissional/documentos_tecnicos/informes_tecnicos/consensogestantes2006_05julho2006.pdf>. Acesso em: 19/jun/2008.

15.            Barroso LMM, Galvão MTG. Avaliação de atendimento prestado por profissionais de saúde a puérpera com HIV/AIDS. Texto Contexto Enferm 2007 jul/set.; 16(3): 463-469.

16.            Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST/Aids. Boletim EpidemiológicoAids e DST, Brasília, ano IV, n.1, dez. 2007. Disponível em: <http://www.aids.gov.br.> Acesso em: 29/ago/2008.

17.            Donalisio MR, Freire JB, Mendes ET. Investigação da sífilis congênita na microrregião de Sumaré, Estado de São Paulo, Brasil – desvelando a fragilidade do cuidado à mulher gestante e ao recém-nascido. Epidemiol. Serv. Saúde 2007 jul/set.; 16(3) 165-173.

18.             Saraceni V,  Guimarães MHFS, Theme MMF, Leal MC. Mortalidade perinatal por sífilis congênita: indicador da qualidade da atenção à mulher e à criança. Cad. Saúde Pública 2005,jul/ago; 21(4): 1244-1250.

 

 

Contribuição dos autores:

Concepção e desenho: Aparecida Neuritianny Chaves Gondim e Ana Kelve de Castro Damasceno.

 

Análise e interpretação: Aparecida Neuritianny Chaves Gondim, Amanda Souza de Oliveira, Ana Carolina Maria Araújo Chagas, Paula Renata Amorim Lessa, Bartira Nunes Barbosa e Ana Kelve de Castro Damasceno

 

Escrita do artigo/Revisão crítica do artigo/Aprovação final do artigo: Aparecida Neuritianny Chaves Gondim, Amanda Souza de Oliveira, Ana Carolina Maria Araújo Chagas, Paula Renata Amorim Lessa, Bartira Nunes Barbosa e Ana Kelve de Castro Damasceno

 

Coleta de dados: Aparecida Neuritianny Chaves Gondim e Amanda Souza de Oliveira

 

Pesquisa bibliográfica: Aparecida Neuritianny Chaves Gondim, Amanda Souza de Oliveira, Ana Carolina Maria Araújo Chagas, Paula Renata Amorim Lessa, Bartira Nunes Barbosa e Ana Kelve de Castro Damasceno